terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Maria Máximo: A grande mentora da caridade em Santos


Cirso Santiago

Esse Espírito de elevada hierarquia reencarnou numa localidade denominada Rio Dades, em Portugal, no dia 14 de dezembro de 1884. Seus pais, Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo e Ismênia de Jesus deram-lhe o nome de Maria da Piedade. Sua infância e juventude certamente ocorreram em Rio Dades. Mas dessas duas fases importantes de sua vida não há testemunhos. O que se sabe mesmo é que ela consorciou-se com o jovem Miguel Máximo e daí para frente adotou o sobrenome do esposo. Maria Máximo e Miguel Máximo eram artistas de teatro e viviam das glórias da ribalta, colhendo em Portugal e, depois, em vários outros países europeus os merecidos aplausos de platéias seletas e amantes da bela Arte Cênica.
Tornaram-se conhecidos artisticamente como o "Duo Max", cuja fama atravessou o Oceano Atlântico e chegou ao Brasil, onde empresários desse meio artístico esperavam ansiosos por novidades.
Não passara muito tempo e o "Duo Máx" desembarcara no porto de Santos. Viera contratado, a fim de se apresentar em palcos brasileiros. Tanto quanto na Europa, o casal Maria e Miguel Máximo alcançou grande sucesso aqui também. A cada uma de suas apresentações em palcos diferentes as platéias delirantes aplaudi-os de pé, demonstrando superlativo agrado.
Depois de anos de trabalho em palcos brasileiros um novo acontecimento mudou o rumo da vida do casal. O Alto convocou-os a ingressarem num outro palco da vida, em que os cenários e as platéias eram outros bem deferentes.
Por força de compromissos espirituais Maria Máximo viu-se portadora de mediunidade aflorada e percebeu logo que essa ferramenta de trabalho não lhe viera de graça. Era preciso fazer jus para mantê-la ativa e em progresso. Confabulou com o esposo sobre sua nova responsabilidade e ele, sempre dócil, aceitou também a nova tarefa como auxiliar de sua amada.
As tradicionais e amplas cortinas de veludo vermelho se fecharam. As luzes da ribalta foram apagadas e o "Duo Max" se desfaz artisticamente, mas o casamento se mostra firme como rocha de granito e eles continuam operando com a mesma alegria de sempre num outro palco: o palco da caridade. O cenário aqui representa sempre a pobreza e por vezes a miséria material e também a espiritual. As novas platéias em vez de serem compostas de criaturas abastadas que riem por qualquer bagatela, eram de criaturas sofredoras, angustiadas, embora algumas até não tivessem necessidade de ajuda material, mas eram carentes de bens espirituais, a desafiarem suas capacidades de amor, de fraternidade e paciência.
Não tiveram grandes dificuldades para se adaptarem à Arte da Caridade, mormente Maria Máximo que era mais preparada para essa tarefa. O que é justificável porque sabemos que os artistas são criaturas mais ou menos sensíveis às inspirações que lhe chegam do Alto.
Corroborando com essa assertiva, Sylvio Brito Soares diz em sua extraordinária obra: "Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo", o seguinte: "O Espiritismo, e quando assim nos expressamos referimo-nos à ação dos Espíritos desencarnados, o Espiritismo, repetimos, tal como o sopro divino, se espalha por toda a parte, penetra em todas as camadas sociais, tem luz apropriada a todos os graus da inteligência humana. Ele tem sido tão necessário, como o será, por todo o sempre, à evolução dos homens, da mesma forma que o oxigênio o é para a manutenção da vida orgânica!
Não nos receamos de afirmar que os Espíritos desencarnados têm influído, continuam e continuarão influenciando os homens de ciência e os cultivadores das artes, (grifamos) muito embora grande parte desses favorecidos os desconheçam completamente, e, quando se admiram de haverem tomado esta ou aquela atitude decisiva em suas pesquisas, ou de terem idéias magníficas, atribuem, simploriamente, à sorte, à casualidade, à sua boa estrela, ou à inspiração feliz!
Sabemos, porém, que essa inspiração, boa estrela, casualidade, sorte, tudo enfim, nada mais é do que a inspiração amiga, oculta e desinteressada de nossos irmãos da Espiritualidade!
E os Espíritos que se comprazem em auxiliar seus irmãos encarnados, para que eles consigam avançar na senda do progresso e possam melhor sentir a grandeza divina, não se agastam quando os homens não reconhecem neles os seus mentores nas várias atividades a que se entregam aqui na Terra."
Como veremos na seqüência desse nosso trabalho jornalístico, Maria Máximo conhecia décor e salteado essa Cartilha da mediunidade. Tanto que convenceu o esposo e largaram a Arte Cênica, embora estivessem no auge do sucesso artístico, e passaram de mala e cuia para o Proscênio da Arte Mediúnica caritativa.
Tinham consciência, entretanto, de que para exercerem bem essa nova função precisavam de um novo palco. Eis que Maria Máximo, com o apoio irrestrito do esposo, funda em janeiro de 1937, o Centro Espírita "Ismênia de Jesus", à Rua Pereira Barreto, 34, no bairro Gonzaga, na cidade de Santos, prestando, assim, justa homenagem àquela que lhe trouxe à luz deste mundo. Aproximadamente um ano após, muda a instituição para a Av. Conselheiro Nébias, n° 490.
Logo ampliam-se as condições para se ter uma sede própria ampla e confortável. Maria Máximo não vacila e vai à uma nova luta. Se envolve com uma nova construção, a fim de materializar o seu ideal de sede própria. E em dezembro de 1939 inaugura, com seus companheiros da época, a sede própria na Rua Campos Melo, n° 312, com um salão para 600 pessoas e um berçário, em que ela acolheu de imediato mais de vinte crianças abandonadas.
O Centro Espírita "Ismênia de Jesus" , a partir dessa época recebe um cognome muito especial e adequado à sua característica social: " Casa dos Pobres" , até hoje mantido gravado no cimento em sua fachada.
Tudo isso para muitos já era o suficiente para trabalhar muitos anos e certamente bastava. Mas, para Maria Máximo era os primeiros passos da caminhada contratada no mundo espiritual. Por isso mesmo seu espírito empreendedor e sua vontade de solidarizar-se com o sofrimento alheio queria mais, muito mais...
Eis que em 1941 vamos vê-la inaugurando no mesmo terreno ampla cozinha e um refeitório com 225 metros quadrados, onde passa a distribuir alimentos preparados a mais de 150 pessoas, diariamente. Essa iniciativa venceu o tempo e continua até hoje, sem interrupção de um só dia, desde 24 de agosto de 1941.
Maria Máximo, como vemos, não se limitou tão somente à parte doutrinária e nem tampouco estacionou na tarefa mediúnica. Sua força empreendedora inesgotável estava sempre sondando novas formas de servir. Sentiu o drama da infância abandonada e dos famintos desesperançados e olhando mais longe percebeu que não bastava dar-lhes o peixe. Era necessário e mais produtivo ensinar-lhes o manejo da pesca, mormente à juventude que vinha florescendo... E a Educação saltou de imediato sob seus olhos atentos. Estava definida sua nova vereda de ação comunitária. No dia 7 de setembro de 1944, um novo prédio de três andares , com 1.200 metros quadrados era inaugurado no terreno da Av. Conselheiro Nébias, 425, onde passou a atender mães solteiras carentes. Três anos depois seria instalada nesse mesmo prédio a Escola Espiritualista "Ordem e Progresso", que mantém os cursos Pré-Primário, Primário e o Segundo Grau.
Em fevereiro de 1947 a Prefeitura Municipal de Santos expediu o alvará de habitabilidade de n° 45. Em março do mesmo ano, o Prof. Alcides Hipólito Luiz Alves, como Diretor do Colégio "Ordem e Progresso" recebeu a Professora Maria José Gomes, a qual foi contratada para ser regente do Colégio. Ainda no mesmo mês de março chegou a Autorização n° 358 de funcionamento da Escola. A mesma foi entregue pelo então Delegado Regional do Ensino, o Sr. Luiz Damasco Pena e expedida pela então Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública. A autorização manteve os Cursos Pré-Primário, Primário fundamental. A liberação do Curso Colegial veio tempos depois. E no dia 10 de abril de 1947, acontecia festivamente a Aula Inaugural da Escola.
Nos últimos 56 anos, a Escola "Ordem e Progresso" participou de Campanhas, Cursos e atividades municipais, estaduais, e internacionais, sempre com destaque, enfim, integrou-se completamente à comunidade santista. Recebeu diplomas de Mérito, como aconteceu na Campanha de Defesa das Utilidades públicas e Privadas, ocorrida em dezembro de 1967. Bem como na Comemoração da Semana do Exército também efetivada em 1967. E na exposição de Desenhos da Enciclopédia Britânica do Brasil, em 1994 e na Segunda Micro Bienal Santista do livro acontecida em 1995 entre outras.
Na atualidade, essa Escola possui mais de quinhentos alunos, distribuídos da 1a a 8a séries. Possui laboratório e sala de vídeo, destinada às aulas de Audio-Visual. Tem uma boa estrutura técnico-pedagógica. Suas vagas são muito disputadas, pois, além de tudo, tem o privilégio de ser uma das melhores escolas da cidade de Santos. E já formou mais de 12 turmas da oitava série.
Histórico da Instituição "Ismênia de Jesus"
Localizada na Rua Campos Melo, 312, em Santos, SP- Telefone: ( 13) 3233- 3095 ocupa uma área de 6.000 metros quadrados, com os seguintes Departamentos: Centro Espírita Ismênia de Jesus, que divulga a Doutrina Espírita através de várias atividades doutrinárias e sociais, todos os dias. A "Casa dos Pobres, que serve sopa diariamente, sem interrupção. A Creche que assiste e educa cerca de 300 crianças diariamente. O Colégio, que atende mais de 500 alunos do Pré-primário, do 1o e do 2o Graus, entre outros departamentos coadjuvantes. Há ainda a Sub-Sede em Ribeirão Pires, construída numa área de 287.800 metros quadrados à Rua Cap. José Galo, 1074 e 1514 -Telefone:             (11) 4828-3103      , onde funciona um centro espírita, denominado também "Ismênia de Jesus", que mantém semanalmente reuniões doutrinárias, assistência espiritual, cursos e palestras, e o Lar Escola "Ismênia" de Jesus, onde cerca de 50 crianças socialmente carentes recebem, diariamente, refeições e orientações educacionais. Uma administração inteligente e enxuta consegue acionar e manter todo esse trabalho com um custo entre 130 a 140 mil reais/ mês. A Sub-sede, com 1.800 metros quadrados de construção tem um Diretor autônomo, o Sr. Wilson Gonçalves Couto, 56 anos, espírita de berço, que é apoiado por sua esposa, a Sra. Vera Lúcia Couto que ocupa o cargo de Secretária. Ali, também, funciona uma Granja, em que são produzidos ovos, e hortaliças para uso da instituição em geral.
Maria Máximo administrou sua obra enquanto teve forças para tal empreitada. Realizou muito numa época de crise nacional e internacional, 1939 a 1945, período em que se desenvolveu na Europa a Segunda Grande Guerra. Além de tudo não podemos esquecer que naqueles tempos a mulher era muito discriminada não só pelo sexo masculino, mas também pela Sociedade como um todo. A mulher era educada para o casamento, cuidar do lar, dos filhos e do esposo. Qualquer vôo mais alto que quisesse alçar já lhe cortavam as asas. Maria Máximo rompeu tudo isso e nos legou uma belíssima Obra, onde o trabalho doutrinário e social de qualidade vem se desenvolvendo há tantos anos consecutivos.
A preocupação com os sofrimentos alheios empurrava-a sempre para novas iniciativas. Um trabalho dessa envergadura certamente fora programado em paragens espirituais e obedecia vontades superiores e a nossa biografada recebia o apoio e orientações de seu guia espiritual, do Espírito "Pai Aurélio", que fora seu genitor, o Dr. Aurélio Augusto de Azevedo. Esse ex-médico português, segundo palavras de sua filha, incentivava-a constantemente, dizendo-lhe que o "Banco da Misericórdia Divina não a deixaria sem recursos para a Obra e que os mesmos apareceriam de forma inesperada", instando-a sempre a construir e prosseguir confiante e segura.
Maria Máximo, mulher bondosa, inteligente, médium clarividente, audiente, psicógrafa, de desdobramento, de transfiguração, de psicofonia e de excepcional capacidade curadora, atendia diuturnamente as pessoas que a procuravam, vindas de toda parte, algumas de muito longe. Oradora inspirada, era ouvida por grande assistência em absoluto silêncio. Pessoas das camadas sociais mais simples até as de grande cultura e elevada posição social e financeira, buscavam-na sequiosos de esclarecimentos e consolo.
A assistência material e a assistência espiritual multiplicaram-se em número e grau e ocupavam o tempo de Maria Máximo integralmente. Ela dispensava qualquer sugestão de descanso e se dedicava a esses trabalhos de corpo e alma, como se diz entre nós, os brasileiros. Essa benfeitora era uma rocha granítica e não se deixava abater espiritualmente, reciclando suas forças nas necessidades alheias, esquecida de si mesma. Mas, como sabemos, o tempo não perdoa ninguém. Maria Máximo, como qualquer mortal, também foi envelhecendo e apesar do seu espírito lutador, o seu corpo físico foi sentindo a luta exacerba e continua, a ponto de trazer preocupações a muitos de seus companheiros de trabalho que começaram a pressioná-la para que repousasse, a fim de recuperar as energias orgânicas. Ela, no entanto, ainda que polidamente, rechaçava toda e qualquer sugestão que lhe fizessem nesse sentido. O mais aconselhável, então, era apelar para alguém de respeitabilidade que pudesse persuadi-la de que o trabalho é importante, mas o descanso em qualquer área de atividade não é indispensável.
Maurício de Jesus Mariano, então Primeiro Secretário da Diretoria Executiva enviou uma carta ao médium Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), em que noticiava, entre outras coisas: "Nossa irmã Maria Máximo está muito enfraquecida em sua matéria, rogai a Jesus para que a fortifique e muito particularmente vos peço, lhe aconselheis bastante repouso, que é o que ela mais necessita e à única coisa que se torna rebelde, apesar das muitas recomendações de Pai Aurélio (seu guia espiritual). A carta de Mariano foi escrita no dia 19 de janeiro de 1946. Eis que no dia 26 do mesmo mês ela mesma em carta que enviou ao Chico Xavier, com quem mantinha correspondência e visitas pessoais, diz: "Quero pedir-te um grande favor que, por certo não me negarás. Pai Aurélio pede-me repouso, Dr. Carneiro , pede-me repouso, mas as mensagens que recebo são sempre estímulo ao trabalho e, como sabes, sou filha carnal de Pai Aurélio, pedia-te orientação dada por Emmanuel, para sossego de meu espírito, pois não sei se estou obedecendo ou desobedecendo."
Há de se compreender que ela estava consciente do seu desgaste físico e também sofria preocupações, mas acima de tudo para ela estava o seu dever cristão. Assim, tornava-se-lhe irrelevante o sofrimento imposto pela enfermidade. Lutava pelo seu idealismo: servir sempre, impugnando o descanso, que se aceitasse seria muito merecido. Como se fizesse uma viagem em águas rebuliças, remava o quanto podia para vencê-las até mesmo além de suas forças, a fim de não deixar de atender a tudo e a todos.
Esta é Maria Máximo! A grande Obreira da Caridade, que atuou, por tantos anos a fio na cidade de Santos, com denodo incomensurável, como excelente médium consoladora e de cura. Trabalho este, que apesar de ser gratificante, espiritualmente considerando, é muito árduo e desgastante, pois as necessidades vinham de todas as partes, em avalanches bater à sua porta.
O agravamento progressivo e acentuado de seu estado físico levou seus parceiros de luta e de ideal espírita/cristão a transferi-la para a Granja "Fé, Esperança e Caridade", propriedade deveras agradável do "Ismênia de Jesus", localizada na hoje Estância de Ribeirão Pires, onde as crianças assistidas por ela no Internato de Santos, passavam suas férias.
Afastando-a do palco das lutas mais acerbas, obrigaram-na a aceitar o repouso por ela tão adiado e tão necessário. Conseguiram, em parte, o intento, pois mesmo distante 60 quilômetros de Santos, Maria Máximo arrumou um jeito de dar continuidade ao seu trabalho em benefício dos desvalidos. Ela passou a freqüentar a reunião de desobsessão no centro espírita local, em que atendia os espíritos sofredores, que compareciam espontaneamente em busca de consolação, ou eram trazidos por bons samaritanos espirituais, a fim de que ouvissem a tertúlia evangélica e fossem esclarecidos quanto à sua situação de desencarnados e convencidos a tomarem outros rumos em suas caminhadas. Aí também seu canal mediúnico era usado pelos mentores espirituais que eram pródigos em incentivar o grupo a se manter unido e dar continuidade à tarefa normal, houvesse o que houvesse. Nesse "exílio" a nossa expoente permaneceu dois anos, sem jamais deixar de cumprir seu missionato um dia sequer.
Intimorata, cheia de fé ela foi em frente até que seu corpo físico depauperado entregou os pontos. Aos 10 de agosto de 1949 o seu coração, que tanto amor dispensou por onde passara, parou. A luta, a perda do esposo, que desencarnou em 24 de agosto de 1940, separação forçada, que muito a abateu, pois entre eles havia um companheirismo verdadeiro, que os uniu como artistas e também no palco denominado, por ela com muito carinho de Casa Espírita "Ismênia de Jesus. Outras razões houveram para o seu enfraquecimento: o excesso de trabalho e as incompreensões que sempre impõem barreiras ao trânsito dos verdadeiros missionários, que agem em nome de Deus e de Jesus. Na chácara "Esperança e Caridade", em Ribeirão Pires, onde cumpria repouso forçado, ninguém poderia imaginar que dentro em pouco ela retornaria para despedir-se dos fiéis companheiros.
Enquanto alguns irmãos presentes na hora de sua passagem para o "outro mundo", tudo faziam para reanimá-la, os amigos espirituais preparavam-na para dar sua primeira comunicação após o desencarne.
Não fazia ainda duas horas que seu coração havia parado e eis que ela se serve de um companheiro médium que estava no local e foi logo dizendo: "Minha carta de alforria chegou". E despediu-se confortando e encorajando os companheiros a continuarem a zelar pela sua plantação.
Pela força de seu Espírito, pelo vigor do seu ideal, pelo seu desprendimento e trabalho, sua Obra continua e continuará a produzir frutos sazonados e em quantidade admirável!
A título de ilustração, narremos aqui um caso insólito, mas muito positivo proporcionado pelos recursos mediúnicos de Maria Máximo, quando ela ainda estava na cidade de Santos à frente do Centro Espírita "Ismênia de Jesus". Ela teve necessidade de ausentar-se da instituição por algum tempo e deixou a Casa por conta de alguns dos seus colaboradores. No retorno, ela encontrou na Secretaria um cheque de alto valor, que um senhor deixara lá como doação. Maria Máximo, acostumada a lidar com doações que chegavam à instituição, encabulou-se diante do referido cheque e se pôs a matutar... Após raciocinar e investigar sobre o doador, concluiu que ele, talvez, tivesse se enganado na hora de preencher o cheque e resolveu procurá-lo, a fim de esclarecer aquela doação altíssima.
No dia seguinte, bem cedo, ela seguiu, com alguns auxiliares, para a Capital à procura do misterioso doador de tão significativo valor.
Em bela mansão, localizada num dos bairros mais importantes da cidade de São Paulo, Maria Máximo e seus acompanhantes foram recebidos cortesmente por um cidadão bem posto, barba bem feita, cabelos alinhados, apresentando na altura das têmporas respeitáveis cãs. Era o mesmo que esteve no Centro Espírita "Ismênia de Jesus", conforme atestou um dos seus acompanhantes. A visitante se apresentou e explicou a razão de sua visita ao dono da mansão.
O Cel. Adindo Ribeiro solicitou-lhe que entrasse em sua casa e lá dentro manifestou sua alegria por ver tanta honestidade numa pessoa que tinha tanto o que fazer com os recursos monetários que chegavam à sua instituição. Depois de dizer isto, pediu-lhe o cheque e olhando-o disse com tranqüilidade: "Não houve engano nenhum. Eu quis doar realmente este valor à sua instituição. Leve-o de volta e aplique-o como quiser!"
Maria Máximo agradeceu a generosidade do Cel. e já se preparava para despedir-se dele, quando o Pai Aurélio lhe surpreendeu com o seguinte recado:
- "O cheque foi só uma desculpa que encontramos para que você pudesse adentrar nesta mansão, onde há um jovem manietado em camisa-de-força, esperando o socorro da sua faculdade mediúnica..."
Maria Máximo incontinente revelou ao Coronel o que acabara de ouvir de seu guia espiritual. Ele, como era de se esperar, espantou-se e pensou: "Como ela soube desse meu segredo?" Pois, ele, realmente tinha um filho completamente louco confinado num dos cômodos da mansão, sob os cuidados ininterruptos de dois enfermeiros. Mas isso não era do conhecimento público, pois sendo ele um homem rico e político influente não podia expôr essa chaga familiar ao conhecimento alheio. Hoje pode parecer estranho a alguns dos nossos leitores que um pai mantivesse sob seu teto um filho nessas condições. De fato é estranho e até mesmo pouco cristão. Ocorre que naquela época e até bem mais tarde no Brasil os hospitais para tratamento de doentes mentais, os chamados manicômios eram raros. Nós mesmos, na infância testemunhamos um caso semelhante. Um filho, o Sr. Pedro Rocha, que mantinha sua própria mãe reclusa num quarto, onde ela era assistida inclusive por um médico.
Diante daquele homem agitado, Maria Máximo não teto um filho nessas condições. De fato é estranho e até mesmo pouco cristão. Ocorre que naquela época e até bem mais tarde no Brasil os hospitais para tratamento de doentes mentais, os chamados manicômios eram raros. Nós mesmos, na infância testemunhamos um caso semelhante. Um filho, o Sr. Pedro Rocha, que mantinha sua própria mãe reclusa num quarto, onde ela era assistida inclusive por um médico.
Diante daquele homem agitado, Maria Máximo não perdeu tempo e acionada por Pai Aurélio, pediu permissão para visitar tal criatura. O Cel. se mostrou reticente e logo esclareceu que isto era arriscado, porque o rapaz era muito agressivo. Em franca obediência ao seu Guia, ela continua insistindo até ser liberada pelo receoso pai.
Chegando ao quarto em que o moço está confinado, o Coronel chama os enfermeiros e lhes recomenda atenção porque àquela mulher quer ver o enfermo, embora ele já tenha prevenido-a dos riscos que estaria sujeita. A porta é aberta e ela vê-o, manietado pela camisa-de-força encolhido num canto do cômodo, olhos arregalados, cabelos ouriçados, semelhante à uma fera. Maria Máximo solicita que os enfermeiros o libertem da camisa-de-força. Eles obedecem e ela destemida vai se aproximando do rapaz... Era como a força dos seus olhos o mantivesse imóvel. A cena, apesar de dramática, era comovente para quem não duvidava da misericórdia do Pai. Maria Máximo estende as mãos sobre a cabeça do jovem e esse se estrebucha e diz algumas coisas desconexas. Ela continua dispensando-lhe os recursos terapêuticos do Passe e dentro de alguns instantes o rapaz levantou-se, demonstrando estar consciente e senhor do seu corpo físico. Maria Máximo conversou com ele por alguns minutos e despediu-se, desejando-lhe toda a felicidade do mundo. Bastou-lhe aquele abençoado passe para que sua obsessão virasse apenas uma boa história para ser contada às novas gerações...
O Coronel Arlindo Ribeiro do Amaral, vendo seu filho completamente curado, tornou-se grande amigo da médium Maria Máximo e de sua instituição. Amplamente agradecido aproxima-se ainda mais da Obra de Maria Máximo, em Santos, e passa a injetar ali mais dinheiro. Agora mais integrado à instituição, verificou o quanto se lutava lá dentro para desenvolver as atividades beneméritas. Preocupado com a perenidade dessas atividades, vendeu uma de suas fazendas e depositou o dinheiro dessa venda no Banco do Brasil, que aplicava todo o capital e repassava, mensalmente, os juros à Entidade "Ismênia de Jesus".
Em Ribeirão Pires, o Cel Arlindo Ribeiro do Amaral adquiriu uma gleba e doou à Instituição "Ismênia de Jesus". Mais tarde ele comprou de sua própria filha a propriedade vizinha e presenteou, mais uma vez, essa instituição. Na Escritura definitiva foram juntadas as duas propriedade que somam alguns alqueires, onde depois foi erigido o Centro Espírita "Ismênia de Jesus", no. 2. Diversas vezes o Cel Arlindo Ribeiro do Amaral deu dinheiro sonante à Maria Máximo, recomendando-lhe que comprasse propriedades em Santos.
O amigo leitor, deve estar questionando: "Por que esse Coronel abrira sua "burra" tantas vezes, à Maria Máximo. Seria somente pela cura filho?"
Bem, essa é uma razão fortíssima para justificar a bondade desse político/militar. Contudo, sua atitude em relação ao "Ismênia de Jesus" não deixa de ser intrigante. Mais à frente, veremos que sua vocação benemérita tinha muito a ver com o seu passado arbitrário e delituoso.
Revelações póstumas
Conforme preceitos da Doutrina Espírita, tudo no universo se encadeia. Nada há independente. Do mais ínfimo ser até o mais amplo corpo celeste são partes de uma mesma esteira evolutiva que avança em direção ao infinito, regida por leis divinas. Olhando por esse prisma doutrinário, nós, espíritas, admitimos a evolução do Espírito através das existências múltiplas neste mundo material e em muitos outros, sempre formando e reformando grupos afins.
Embasado nesses conceitos, o Sr. Camilo Lourenço, presidente da Instituição Espírita "Ismênia de Jesus" diz que na Instituição há arquivadas informações mediúnicas seguras de grande importância para o movimento espírita, a saber:
Primeira informação: Maria Máximo era a Dona Domitila de Castro Canto e Melo reencarnada - a Marquesa de Santos (1797 -1867).
Segunda informação: O médico Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo, genitor de Maria Máximo (Pai Aurélio) fora a reencarnação de Dom Pedro I - o Infante.
Terceira informação: Ismênia de Jesus, genitora de Maria Máximo fora a reencarnação da Imperatriz Leopoldina.
Quarta informação: O coronel Arlindo Ribeiro do Amaral, no tempo do Império no Brasil fora um político influente e desonesto, que aproveitando-se de sua posição política confiscou muitas propriedades de Dona Domitila de Castro Canto Melo - a Marquesa de Santos, que mais tarde se apresentou na Terra como Maria Máximo. É o mesmo Espírito em duas roupagens carnais diferentes, em épocas distintas.
De modo que o Cel. Arlindo Ribeiro do Amaral, reencarnando-se na mesma época que Domitila reencarnou como Maria Máximo, reviu o seu passado delituoso e se justificou perante a Lei de Deus, devolvendo à Maria Máximo tudo que havia roubado da Marquesa de Santos, ou seja ela mesma.
Como disse Jesus, nada sobre a Terra fica encoberto e nem impune perante as leis divinas. O que por direito for de um homem, por justiça retornará a esse mesmo homem, ainda que por vezes demore séculos...
Não foi sem razão que os espíritas franceses mandaram gravar no frontispício do túmulo do mestre Allan Kardec, localizado no Cemitério Pere Lachaise, em Paris, a seguinte frase: "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei".
(Veja os box sobre Domitila, Dom Pedro e a Imperatriz Leopoldina)
A imperatriz Leopoldina - Arquiduquesa da Áustria, Leopoldina casou-se por procuração com o príncipe D. Pedro I e, a caminho do Brasil, ficou retida na Itália por causa do movimento revolucionário em Pernambuco. Recusou-se a voltar para Viena e insistiu em juntar-se ao marido para a seu lado correr os riscos do momento revolucionário.
Carolina Josefa Leopoldina, que no Brasil passou a usar os nomes de Leopoldina e Maria Leopoldina, imperatriz do Brasil, nasceu em Viena. Áustria, em 22 de janeiro de 1797. Era filha do imperador Francisco I da Áustria e II da Alemanha, da casa real dos Habsburgos, e de D. Maria Isabel de Bourbon Nápoles. Sua união com o príncipe português resultou de conversações diplomáticas no Congresso de Viena.
Muito culta, D. Leopoldina interessava-se especialmente por botânica e promoveu a vinda ao Brasil de naturalistas europeus como Von Martius e Von Spix. Em agosto de 1822 exerceu a regência do Brasil quando o marido, por razões políticas, seguiu para São Paulo, onde proclamou a Independência. Teve seis filhos, entre eles, D. Pedro de Alcântara, que subiu ao trono como D. Pedro II. D. Leopoldina morreu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1826, em conseqüência de parto prematuro. Seus restos mortais repousam no monumento do Ipiranga em São Paulo.
Domitila de Castro Canto e Melo - a Marquesa de Santos - Nasceu em 27 de dezembro de 1797. Seu pai era João de Castro Canto e Melo, coronel reformado e primeiro visconde de Castro. Ela casou-se em 1813, aos 16 anos com o alferes Felício Coelho Pinto de Mendonça, com quem teve três filhos. Entretanto, teve o seu casamento anulado em 1849 por interferência real. Motivo: durante dois anos houveram muitas brigas violentas, todas motivadas pelo ciúme, ela recebeu duas facadas na perna e ele sumiu.
Em agosto de 1822, pouco antes da proclamação da Independência, o então regente do reino do Brasil, D. Pedro I realizou uma viagem à cidade de São Paulo, tendo conhecido Domitila, que quando sorria enlouquecia os jovens do seu tempo. Ela era uma morena perturbante! Bem formada de corpo e de rosto, tinha olhos profundamente negros e o olhar esperto e malicioso. Os cabelos também negros, com as pontas encaracoladas. O rosto brejeiro e róseo, a boca carnuda e vermelha, muito úmida, possuía uma covinha em cada lado. Segundo os cronistas da época, os jovens se esmurravam por ela em público, era um verdadeiro escândalo, brigavam até na missa.
Logo depois da proclamação da Independência, D. Pedro I a levou para a corte, onde viveu durante sete anos. A favorita de D. Pedro I residiu até 1829 junto ao paço de São Cristóvão, num palacete que foi adaptado e decorado pelo artista Francisco Pedro do Amaral e doado pelo imperador à Domitila.
Introduzida na corte como primeira dama da imperatriz Leopoldina, Domitila recebeu o título de viscondessa de Santos em 1825. No ano seguinte foi elevada a marquesa.
Da ligação amorosa com D. Pedro I, Domitila teve quatro filhos: Isabel Maria Alcântara, nascida no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1824, a qual foi dado o título de duquesa de Goiás; Pedro, que morreu na infância; Maria Isabel, que também desencarnou prematuramente e uma outra Maria Isabel, que nasceu em São Paulo, em fevereiro de 1830, após o rompimento dos pais. Esta última Maria Isabel tornou-se, depois do casamento, condensa de Iguaçu. De todos seus filhos legítimos, D. Pedro I preferia a Duquesa de Goiás. Tanto é que no seu testamento recomendou-a aos cuidados da imperatriz Maria Amélia, que a enviou para estudar em colégios de Paris e Munique. Maria Isabel casou-se em 1843 com Ernesto Ficher, conde de Treuberg e deixou numerosa descendência.
A presença de Domitila na corte após a morte da imperatriz Leopoldina criava dificuldades para o casamento de D. Pedro com dona Maria Amélia. Em 1829, Domitila e o imperador romperam o romance e ela voltou para São Paulo. Possuindo considerável fortuna, Domitila passou a viver maritalmente com Rafael Tobias de Aguiar, um dos homens mais ricos da região e destacado político liberal, com quem teve seis filhos, mas eles só casaram de fato em 1842.
Domitila, pelo que consta era uma mulher que despertava grandes paixões e sua fortuna crescia na medida em que se unia a outro homem. Gerou treze filhos e enviuvou-se em 1857, ainda mais rica. A História lhe faz justiça registrando que ela foi uma grande benemérita, virtude esta que se exacerbou quando ela viveu novamente na Terra como Maria Máximo. Domitila morreu em São Paulo, no dia 3 de novembro de 1867.

Adelaide Câmara - Aura Celeste


Adelaide Câmara

Grandes Espíritas do Brasil

Adelaide Augusta Câmara foi uma das mais devotadas figuras femininas do Espiritismo no Brasil, bem conhecida pelo seu pseudônimo de Aura Celeste.
Encarnou na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, em 11 de janeiro de 1874, e desencarnou na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de outubro de 1944.
Aura Celeste veio para a antiga Capital Federal em janeiro de 1896, graças ao auxílio de alguns militantes do Protestantismo, a cuja religião pertencia, os quais lhe propiciaram a oportunidade de lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez com muita proficiência, durante algum tempo, até que organizou em sua própria residência, um curso primário, onde muitos homens ilustres do meio político e social brasileiro aprenderam com ela as primeiras letras.
Foi nesse período de sua vida, no ano de 1898, que começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, o grande Bezerra de Menezes dirigia os destinos da Federação Espírita Brasileira, revestido daquela auréola de prestígio e de respeito que crentes e descrentes lhe davam, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, não só pelos fenômenos e curas mediúnicas, como pela propaganda falada, pelos livros e pela imprensa.
Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes começou a sua notável carreira mediúnica como psicografa, no Centro Espírita Ismael. O grande apóstolo do Espiritismo brasileiro, pela sua conhecida clarividência, prognosticou, certa vez, que Adelaide Câmara, com as prodigiosas faculdades de que era dotada, um dia assombraria crentes e descrentes. E essa profecia de Bezerra não se fez esperar, pois em breve Adelaide Câmara, como médium auditiva, começou a trabalhar na propagação da Doutrina, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que o seu nome se irradiou por todo o País.
Com a desencarnação do inolvidável mestre, doutor Bezerra de Menezes, em 1900, Adelaide Câmara aproximou-se do grande seareiro que foi Inácio Bittencourt e, nas sessões do Círculo Espírita "Cáritas", passou a emprestar o seu concurso magnífico como médium e como propagandista de primeira grandeza.
Contraindo núpcias em 1906, os afazeres do lar, e a educação dos filhos mais tarde, obrigaram-na a afastar-se da propaganda ativa nos Centros, mas, nem por isso, ficou inativa. Nas horas de lazer, entrava em confabulação com os guias espirituais, e pôde receber e produzir páginas admiráveis, que foram dadas à publicidade na obra "Do Além", em 21 fascículos, e no livro "Orvalho do Céu".
Foi aí que adotou o pseudônimo de AURA CELESTE, nome com que ficou conhecida no Brasil inteiro.
Em 1920, retorna à tribuna e aos trabalhos mediúnicos, com tal vigor e entusiasmo, que o seu organismo de compleição franzina ressentiu-se um pouco, mas, nem por isso, deixou ela de cumprir com os seus deveres. O Dr. Joaquim Murtinho era o médico espiritual que, por seu intermédio, começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados, diagnosticando e curando a todos quantos lhe batiam à porta, desenvolvendo-lhe, espontaneamente, diversas faculdades mediúnicas nesse período.
Além das mediunidades de incorporação, audição, vidência, psicográfica, curadora, intuitiva, possuía Adelaide Câmara, ainda, a extraordinária faculdade da bilocação. Muitas curas operou em diferentes lugares do Brasil, a eles se transportando em "desdobramento fluídico", sendo visível o seu corpo perispirítico, como aconteceu em Juiz de Fora e Corumbá (provadamente constatado), por enfermos que, sob os seus cuidados, a viram aplicar-lhes "passes".
Poetisa, conferencista, contista, e educadora sobretudo, deixou excelentes obras lítero-doutrinárias, em prosa e verso, assinando-os geralmente com o seu pseudônimo. É assim que deu a público "Vozes d"Alma", versos; "Sentimentais", versos; "Aspectos da Alma", contos; "Palavras Espíritas", palestras; "Rumo à Verdade" e "Luz do Alto". Esparsos em revistas e jornais espíritas, há muitas poesias e artigos doutrinários de sua autoria.
O grande jornalista e literato Leal de Souza, referiu-se a Adelaide Câmara como "a grande Musa moderna, a Musa espiritualista".
Em 1924, teve as suas vistas voltadas para o campo da assistência às crianças órfãs e à velhice desamparada. Centralizou todos os seus esforços no propósito de materializar esse antigo anseio de sua alma. Pouco, entretanto, pôde fazer em quase três anos de lutas. Aconteceu, então, que um confrade, João Carlos de Carvalho, estava angariando donativos e meios para a fundação de uma instituição dessa natureza, e, um dia, faz-lhe entrega da lista de donativos a fim de que Adelaide Câmara arranjasse novos óbolos para tão humanitário fim. Dias depois, João Carvalho desencarna, e ela fica de posse da lista e do dinheiro arrecadado.
Passados alguns meses, o Sr. Lopes, proprietário da Casa Lopes, que andava estudando a Doutrina, mostrou-se interessado na organização de uma instituição de amparo e assistência aos órfãos e Adelaide lhe informa possuir uma lista com alguns donativos para esse fim. A idéia foi recebida com entusiasmo e logo concretizada. Alugaram uma casa em Botafogo e aí foi instalado, no dia 13 de março de 1927, o Asilo Espírita "João Evangelista", sendo ela a sua primeira diretora. Compareceu a essa festiva inauguração o doutor Guillon Ribeiro, então 2o. secretário da Federação Espírita Brasileira e representante desta naquela solenidade. Adelaide Câmara, em breves palavras, exprimiu o júbilo de sua alma, afirmando realizado o ideal de toda a sua existência – "ser mãe de órfãos, graça do céu que não trocaria por todo o ouro e todas as grandezas do mundo".
Dedicou, daí por diante, todo o seu tempo a essa grandiosa obra de caridade, emprestando-lhe as luzes do seu saber e de sua bondade até o dia em que serenamente entregou a alma a Deus.
Com extremosa dedicação, trabalhou Aura Celeste em várias sociedades espíritas beneficentes da cidade do Rio de Janeiro, dando a todas elas o melhor de suas energias e de sua inteligência.
No Asilo Espírita "João Evangelista", porém, foi onde realizou sua tarefa máxima, não só como competente educadora, mas também como hábil orientadora de inumeráveis jovens que ali receberam, como ainda recebem, instrução intelectual e educação moral.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, uma afirmação de fé e humildade, e um perene testemunho de amor. Era a grande educadora que ensinava educando e educava ensinando, pelo exemplo.
Médium sem vaidades, sincera e de honestidade a toda prova, praticava a mediunidade como verdadeiro sacerdócio.
Dotada de sólida cultura teria, se quisesse, conquistado fama no mundo das letras. Poetisa de vastos recursos, oradora convincente e natural, senhora de estilo vigoroso e de fulgurante imaginação, tudo deu e tudo fez, com o cabedal que possuía, para o bom nome e o engrandecimento da Doutrina Espírita.
O Asilo Espírita "João Evangelista", no Rio de Janeiro, aí está ainda, em sede própria, atestando a obra e o devotamento à causa do bem daquela nobre mulher que se chamou Adelaide Augusta Câmara.


Adelaide Augusta Câmara, mais conhecida por Aura Celeste, foi a grande médium conhecida no Brasil inteiro, dado o vulto do seu trabalho no seio do Espiritismo.
Nasceu na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, em 11 de Janeiro de 1874 e desencarnou no Rio de Janeiro, em 25 de Outubro de 1944.
Aura Celeste veio para antiga Capital Federal em Janeiro de 1896, graças ao auxílio de alguns militantes do Protestantismo, a cuja religião pertencia, os quais lhe propiciaram a oportunidade de lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez com muita desenvoltura durante algum tempo, até que organizou, em sua própria residência, um curso primário, onde muitos homens eminentes do meio político-social brasileiro aprenderam com ela as primeiras letras.
Foi no ano de 1898 que começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, o grande Dr. Bezerra de Menezes pontificava a verdade espírita, revestido daquela auréola de prestígio e de respeito, que crentes e descrentes lhe davam, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, não só pelos fenômenos e curas mediúnicas, como pela propaganda falada, pelos livros e pela imprensa, como, por exemplo, os artigos de Bezerra de Menezes no famoso jornal "O Paiz".
Adelaide Câmara, sempre ávida de luz e sequiosa de saber, lia essas crônicas admiráveis e consigo mesma resolveu ir ver de perto o que era o Espiritismo, não obstante o sectarismo da religião protestante a que estava filiada.
Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes começou a sua carreira mediúnica, como médium psicógrafa, no Centro Espírita "Ismael". O grande apóstolo do Espiritismo brasileiro, na sua desmedida clarividência, prognosticou, certa vez, que Adelaide Câmara, com as prodigiosas faculdades que era dotada, um dia, assombraria crentes e descrentes. E essa profecia de Bezerra de Menezes não se fez esperar, pois, em breve, Adelaide, como médium auditiva, começou a trabalhar na propaganda da Doutrina dos Espíritos, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que o seu nome se irradiou por todo o país.
Com a desencarnação de Bezerra de Menezes em 11 de Abril de 1900, Adelaide Câmara aproximou-se do grande seareiro que foi Inácio Bittencourt e, nas sessões do Círculo Espírita Cáritas, passou a emprestar o seu concurso magnífico como médium e como propagandista de primeira grandeza.
Contraindo núpcias em 1906, os afazeres do lar e a educação dos filhos, mais tarde, obrigaram-na a afastar-se da propaganda espírita nos Centros, mas, nem por isso, ficou inativa. Nas horas de lazer, entrava em contato com seus guias espirituais e conseguiu receber e produzir páginas admiráveis, que foram dadas a público com o título de "Flores do Céu" e o fascículo denominado "Do Além".
Foi aí que adotou o pseudônimo de Aura Celeste, nome com que ficou conhecida no Brasil inteiro.
Em 1920, retorna a tribuna e os trabalhos mediúnicos, com tal entusiasmo, que seu organismo de compleição fransina ressentiu-se um pouco, mas nem por isso deixou de cumprir os seus deveres. O Dr. Joaquim Murtino era um médico espiritual que, por seu intermédio, começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados, diagnosticando e curando todos quantos lhe batiam à porta.
Além das faculdades mediúnicas de incorporação, audição, vidência, psicografia, receitista, curadora, intuitiva, possuia Adelaide Câmara a faculdade transporte, faculdade rara. Ela foi vista com seu corpo perispiritual, em várias cidades do Brasil, como Juiz de Fora e Corumbá, aplicando passes em enfermos que estavam sob os seus cuidados.
Em 1927 teve as suas vistas voltadas para o grande campo da assistência aos necessitados de um lar, as crianças órfãs e à velhice desamparada. Neste ano fundou o Asylo Espírita João Evangelista.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, um exemplo de fé e um perene testemunho de amor. Foi grande educadora, que ensinava educando e educava ensinando. Poetisa de vastos recursos, oradora convincente, senhora de um estilo vigoroso, possuidora de uma imaginação prodigiosa, tudo deu e tudo fez para o bom nome do Espiritismo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cecília Rocha


Retorna à Pátria Espiritual Cecília Rocha

Retornou ao mundo espiritual, na madrugada no dia 5 de novembro, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Santa Marta, no Distrito Federal, a confreira Cecília Rocha, aos 93 anos de idade.

Cecília Rocha nasceu em Porto Alegre (RS) em 21 de maio de 1919, mas desde a infância passou a viver na capital gaúcha, onde seus pais (José Rocha e Carmen Rocha) e irmãos (Otávio, Alberto, Mário e Fernando) fixaram residência. Em Porto Alegre, concluiu o ensino fundamental, seguido do curso secundário de magistério e o de pedagogia, com especialização em administração escolar. Exerceu o magistério de escolas de ensino fundamental, públicas e particulares, no interior e na capital do Rio Grande Sul, até a sua aposentadoria, após mais de trinta anos dedicados à profissão.

No ano de 1957, Cecília Rocha já estava em plena atividade no movimento espírita do seu Estado, atuando como evangelizadora. Neste mesmo ano, passou a dirigir a escola primária Instituto Espírita Amigo Germano, voltado à alfabetização de crianças carentes. Em 1958, participa da Confraternização de Mocidades Espíritas do Norte e Nordeste do Brasil, ocorrida em Teresina (PI), oportunidade que conheceu Divaldo Pereira Franco, a quem dedicou amizade até o final dos seus dias no plano físico. Em 1960, Cecília transfere residência temporária para a Mansão do Caminho, obra social-espírita, sediada em Salvador (BA), por dez meses, em atendimento ao convite que Divaldo lhe fizera de prestar orientações pedagógicas à escola primária ali existente. No período, teve oportunidade de viajar pelo Estado da Bahia e conhecer, de perto, o movimento espírita baiano.

Em julho de 1980, já aposentada, Cecília fixa residência em Brasília (DF), por solicitação do presidente da Federação Espírita Brasileira, Francisco Thiesen, passando a integrar a diretoria da FEB, exerceu os cargos de diretora (1980-1982) e de vice presidente, de 1983 até março de 2012. Por 31 anos, a nobre confreira se dedicou à organização e desenvolvimento da Área de Estudo, no campo experimental da FEB e do Movimento Espírita Federativo, sobretudo no que diz respeito à implantação e aperfeiçoamento das escolas de evangelização espírita infantojuvenil e estudo doutrinário espírita de adultos. Participou da elaboração e da implementação das Campanhas de Evangelização Espírita Infantojuvenil, no início juntamente com Maria Cecília Paiva, e do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Promoveu inúmeros cursos e seminários de treinamento nestas duas áreas, em todo o país e no exterior. Foi coordenadora da Área do ESDE das Comissões Regionais do CFN da FEB. Coordenou atividade educacional da FEB em Santo Antonio do Descoberto (GO). Autora e organizadora de livros infantis editados pela FEB e da obra “Pelos Caminhos da Evangelização”. No ano de 2009, a Editora da FERGS lançou a obra “A Missão e os Missionários”, de Gladis Pedersen de Oliveira, focalizando “a figura de Cecília Rocha mergulhada na ação evangelizadora de corpo e alma, isto é, de mente e coração”, resgatando “todo o seu esforço em prol da evangelização da criança e do jovem”. A FEB prestou homenagens a Cecília Rocha durante o ano de 2012, em Seminário realizado em junho, e nas comemorações dos 35 anos da Campanha Permanente da Evangelização Espírita Infantojuvenil, em julho. Nas duas oportunidades, Cecília não pode comparecer em virtude de imprevistos de sua saúde.

À irmã Cecília Rocha, respeitada obreira espírita, rogamos a Jesus bênçãos de paz durante o seu retorno à Pátria Espiritual e registramos as homenagens da Federação Espírita Brasileira.

O velório será amanhã (06.11.2012), das 7hs as 8:30hs no cemitério Campo da Esperança – Asa Sul- Brasília-DF

RELEMBRANDO O DR. HERNÂNI GUIMARÃES ANDRADA




Desencarnou no dia 25 de abril de 2003, em Bauru, Estado de São Paulo, pouco mais de um mês antes do seu nonagésimo aniversário, Hernani Guimarães Andrade, um dos mais conceituados pesquisadores brasileiros do fenômeno paranormal, de renome internacional.
Embora nascido em Araguari, Estado de Minas Gerais, em 31 de maio de 1913, cedo se radicou na capital paulistana, onde se graduou em engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pouco depois de formado, tornou-se engenheiro da Usina de Volta Redonda. Retornando à metrópole paulistana, ingressou no Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, no qual fez carreira profissional até se aposentar compulsoriamente aos 70 anos de idade como Diretor Setorial desse organismo, em 31 de maio de 1983.
Casado com D. Cyomara de G. Andrade teve quatro filhos, três engenheiros e uma psicóloga, foi um pai prestimoso e esposo exemplar, e quem frequentou o seu domicílio sempre testemunhou aquela imensa capacidade de compreensão e de diálogo, não apenas com os familiares, mas também com os amigos e companheiros de Doutrina.
Tornou-se espírita aos 16 anos de idade, atraído pela racionalidade e pela coerência dos postulados kardecistas. Após estudar exaustivamente as obras clássicas da Doutrina (Delanne, Denis, Bozzano, Flammarion, Crookes, Aksakoff, Richet, Crawford, Lombroso, de Rochas e tantos outros) examinou os experimentos e teorias dos metapsiquistas e dos parapsicólogos na busca da realidade e da essencialidade do espírito.
Possuía conhecimentos aprofundados de Física e de diversos aspectos das Ciências Biológicas, da Cosmologia, da Estatística e da Psicologia. Tinha apreciável domínio de várias disciplinas filosóficas, principalmente aquelas mais relacionadas com a Ciência (Lógica, Epistemologia, Metodologia da Pesquisa e Gnosiologia).
Era um motivador e emulador de jovens que se iniciavam no estudo do aspecto científico do Espiritismo. O signatário conheceu-o em 1956 e, desde essa época, cultivou sua amizade, carinho e orientação até os derradeiros dias de sua existência terrena. Foi, para muitos, um autêntico mentor encarnado. Nessa tarefa ministrou cursos, seminários e palestras, orientou leituras, montagem de laboratório e roteiros de experiências, incentivou a leitura de artigos em periódicos e livros.
Sua modéstia, integridade moral, austeridade intelectual, prudência e sabedoria e, principalmente, sua generosidade era incomparável. Cada visita em sua residência ou em sua instituição era um momento de intensa aprendizagem e de atualização no que tange às investigações dos fatos paranormais levados a efeito no País e no mundo, porquanto mantinha correspondência assídua com dezenas de instituições e cientistas.
Quantos autores de ensaios e livros se beneficiaram dos textos de sua autoria ou de traduções de pesquisadores estrangeiros, inclusive o signatário, para redigir seus artigos e até capítulos inteiros de livros.
Com o objetivo de evitar o preconceito existente nos meios da ciência acadêmica em relação ao Espiritismo, deu o nome de “Psicobiofísica, a disciplina científica cujo objeto é o estudo dos fenômenos psíquicos, biológicos e físicos em todas as suas manifestações, com ênfase nas de caráter paranormal.”.
Segundo Hernani, “a Psicobiofísica parte dos seguintes princípios, cuja realidade é sobejamente apoida pelas evidências observacionais e experimentais”:
1)A existência do Espírito como realidade positiva e demonstrável... ainda que não aceita pelo “establishment” científico oficial;
2) A existência dos fenômenos paranormais;
3) A classificação desses fenômenos segundo as categorias psíquica, biológica e física e a tentativa de explicá-los e a descoberta de suas leis;
4) Ao contrário da moderna Parapsicologia, aceita, a priori, a existência, a sobrevivência do Espírito e a reencarnação,... e admite a interação entre as matérias física e espiritual.”
Fundou, em 13 de dezembro de 1963, juntamente com outros estudiosos do aspecto científico da Doutrina, o IBPP – Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, com sede em São Paulo, do qual o signatário integrou o Conselho Superior em sua primeira gestão.
Durante muitos anos efetuou investigações sobre o fenômeno “psi”, segundo os cânones adotados pelo norte-americano J. B. Rhine; sobre reencarnação pelo método criado por Hemendra Nath Banerjee e Ian Stevenson, sobre Poltergeist pelo processo por ele criado, sobre Transcomunicação Instrumental (TCI) segundo os paradigmas adotados pelos estudiosos europeus. Foi o primeiro brasileiro a projetar e construir uma câmara de Kirlian para estudos da aura humana.
Há cerca de quarenta anos, Hernani Guimarães Andrade encetou a pesquisa do hipotético campo de forças que, supostamente, estaria implicado na ligação entre o Espírito (como substância) e a matéria, no fenômeno da vida.  A abordagem desse enigmático tema iniciou-se de forma teórica com a publicação de dois livros: A Teoria Corpuscular do Espírito e Novos Rumos à Experimentação Espirítica.
A seguir, em outubro de 1961, Andrade encetou a construção do primeiro aparelho destinado a verificar o acerto ou a falácia de sua teoria, teoria esta que possuía os seus próprios recursos para contradizê-la ou aprová-la por meios experimentais. Hernani procurou equipar-se para a tarefa. Montou uma oficina mecânica na garagem da casa em que residia. Devido à sua natural inexperiência, começou pelo caminho mais dispendioso e difícil. Procurou construir um aparelho acionada a eletricidade cuja elaboração tornou-se mais complicada e dispendiosa. O aparelho denominado Tensionador Espacial Electromagnético (TEEM) começou a ser fabricado por ele e seus três filhos, no dia primeiro de outubro de 1961. Em 23 de outubro de 1966, o TEEM estava concluído e pronto para os primeiros testes de funcionamento e ajustagens eletromecânicas.

O CAMPO BIOMAGNÉTICO – (CBM) e os T.E.E.M. e T.E.M.
Para a concepção de um aparelho capaz de produzir o campo biomagnético – CBM, Andrade partiu de duas hipóteses de trabalho:
1) Supondo-se que o CBM seja o campo que liga o Espírito à matéria orgânica a fim de vivificá-la, deverá existir também um CBM na própria matéria física. A pesquisa teórica acerca desta hipótese acha-se relatada na obra de Andrade intitulada Psi Quântico (Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito). (Andrade, 1986, capítulos VI e VII). A esse respeito ele postulou que o CBM, na matéria, é gerado pelo movimento dos elétrons nas camadas orbitais dos átomos (opus cit. pp. 122 e 123). Neste caso o CBM não seria registrável em nosso espaço físico. Por outro lado, ele se propagaria para fora do nosso espaço, em direção ao hiperespaço.
Explicando tal hipótese com um pouco mais de precisão diremos que, em um modelo geométrico, teríamos de referir-nos a um sistema de quatro eixos referenciais (x, y, z, h)) todos perpendiculares entre si, definindo um espaço de quatro dimensões (4D). Três desses eixos (x, y, z) correspondentes ao nosso espaço físico (3D). O quarto eixo (h) indicaria a direção seguida pelo campo biomagnético – CBM – gerado pelos elétrons em suas camadas orbitais nos átomos físicos.
Andrade chegou à conclusão de que, nas condições de movimento dos elétrons, raciocinando-se com o auxílio de um modelo de Bohr para o átomo, as órbitas eletrônicas funcionariam como “solenóides”. O movimento dos elétrons nesses “solenóides” equivaleria a correntes elétricas. Logo, as órbitas eletrônicas seriam sedes de intenso campo magnético. Assim, por exemplo, o campo magnético gerado pelo único elétron na órbita fundamental (primeira órbita) de um átomo de hidrogênio não excitado seria, aproximadamente, da ordem de cento e vinte e cinco mil Oersted! Como este campo magnético não aparece nos átomos, pois o ferro magnetismo é devido ao “spin” dos elétrons, Andrade concluiu que ele está “compensado”. Esta compensação teria como resultado uma espécie de tensão mecânica do espaço vazio do mesmo tipo que se obteria contrapondo-se os dois pólos de mesmo nome de dois ímãs. Uma bobina esférica poderia imitar as condições dos átomos em seu interior, quando se fizesse circular uma corrente elétrica contínua pela bobina esférica.

Portanto, se criarmos, em uma dada região do nosso espaço, um tensionamento por meio de dois ou mais ímãs ou eletroímãs contraposto por seus pólos de mesmo nome, poderemos produzir um campo semelhante ao campo biomagnético.
2) A segunda hipótese seria criarem-se, também, condições idênticas à do tensionamento do espaço vazio (repulsão) contrapondo-se, da mesma forma, pólos idênticos de ímãs ou eletroímãs. Neste caso, procura-se simplesmente criar um efeito contrário ao de ímãs dispostos com os pólos de nomes contrários frente a frente (atração).
Ambos os raciocínios (1) e (2) anteriores se equivalem. O segundo é mais simples e inteligível. Com efeito, se a região entre os pólos de nomes contrários dos ímãs ou eletroímãs, em atração, é capaz de inibir o desenvolvimento de alguns processos biológicos, a região onde ocorre a repulsão entre pólos de mesmo nome poderia favorecer o desenvolvimento daqueles mesmos processos biológicos.
Andrade postulou que, na região onde se dá a repulsão entre os pólos magnéticos de mesmo nome, deveria criar-se um outro campo com propriedades biológicas, resultante da alteração das condições físicas do espaço-tempo. Ao provocar a repulsão magnética entre pólos iguais, tem-se uma reação semelhante à de um fluido elástico ao ser tencionado por compressão.
Daí o nome adotado para designar o aparelho destinado a produzir o referido efeito no espaço entre pólos semelhantes: Tensionador Espacial Eletromagnético – T.E.E.M., quando se usam magnetos ativados por corrente elétrica contínua.
Quando são empregados ímãs de alto poder coercitivo, usa-se a designação: Tensionador Espacial Magnético – TEM. Este sistema é mais funcional e prático. Por esta razão, Hernani abandonou o sistema T.E.E.M. e passou a empregar o T.E.M. que foi desenvolvido pelo Engenheiro Ricardo de Godoy Andrade. (foto 2).

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Em primeiro de junho de 1992, devido a fatores vários, Andrade mudou-se com a família para a aprazível cidade de Bauru, no Estado de São Paulo, onde instalou em nova sede o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas – IBPP.
Em sete de abril de 1995, Andrade que havia emprestado o T.E.E.M. para um grupo de universitários do Sul realizarem a pesquisa prometida e não realizada, trouxe-o para a nova sede do IBPP, em Bauru. Já se haviam passado trinta e quatro anos desde o dia em que ele iniciara a construção do T.E.E.M., buscando descobrir se realmente seria possível detectar o hipotético campo biomagnético (CBM).
Mas a luta não terminaria ainda. Ela seria retomada em outras condições e com outros tipos de equipamento, com novo sistema de pesquisa e com uma nova versão do T.E.E.M., mais cômoda, mais simples e sem necessidade de usar energia elétrica para acionar os magnetos.
O novo aparelho inventado por H. G. Andrade e construído por seu filho Engenheiro Ricardo de G. Andrade tomou o nome de Tensionador Espacial Magnético – T.E.M.
Em sua nova sede, Andrade pôde prosseguir nos seus trabalhos com maior eficiência. Além de abrir cursos de Psicobiofísica, ministrados na sede do Centro Espírita Amor e Caridade – CEAC equipou o IBPP com um laboratório, o qual o denominou de PSILAB. (abreviatura da palavra “psilaboratório”). O referido laboratório destinou-se à pesquisa do Campo Biomagnético (CBM); Para isso, Hernani dotou o laboratório de todos os acessórios necessários, tais como pipetas, tubos de ensaio, placas de Petri, etc, de Tensionador Espacial Magnético – T.E.M. estufas, autoclave e mesa de mármore para a manipulação e o preparo das culturas bactéricas.
No mês de junho de 1995, ocorreu o início dos trabalhos de pesquisa com a equipe formada pelos seguintes colaboradores voluntários: Dra. Sônia Maria Marafiotti Gomes, bióloga e bacteriologista, funcionária do Instituto “Adolfo Lutz”; sua auxiliar Sandra Regina E. Ribeiro, do mesmo Instituto “Adolfo Lutz”; Prof. Carlos Eduardo Noronha Luz, competente técnico eletrônico e a professora Suzuko Hashizume, na parte administrativa.

RETROSPECTO
As primeiras experiências efetuadas com o T.E.E.M., com o objetivo de detectar a existência do suposto Campo Biomagnético - CBM foram realizadas por H. G. Andrade, em São Paulo, com a colaboração do Dr. Gilberti Moreno e Dr. Roberto Yanaguita da Faculdade de Medicina Veterinária, da Universidade de São Paulo. Conforme postula Andrade em sua teoria este suposto Campo Biomagnético seria o agente de ligação entre o Modelo Organizador Biológico (MOB) do Espírito e a matéria orgânica de um ser vivo. O CBM possibilitaria a ação morfogenética do MOB sobre a matéria orgânica do ser vivo em desenvolvimento. A ligação do Espírito se faria logo no início do ser em formação. No caso das bactérias, por exemplo, o MOB controlaria as fases da mitose. Nos seres superiores, o MOB ligar-se-ia ao ovo e acompanharia a evolução embrionária, fetal, corporal, etc., continuando como sustentáculo da forma e da renovação celular do ser adulto, durante toda a sua vida.
O CBM seria o meio de ligação entre o MOB e o corpo material, constituindo aquilo que se denominaria corrente de alma do ser vivo. (Andrade, H.G. - ver Espírito, Perispírito e Alma – Ensaio Sobre O Modelo Organizador Biológico).
A morte se daria com a saída do Espírito, o qual abandonaria o soma, por não haver mais condições de manter os laços entre o Espírito e o corpo físico. A ausência da ação mantenedora do MOB através do CBM acarretaria a desorganização dos tecidos e a consequente histólise celular, seguida da decomposição do cadáver. (Andrade, 1983, 1984, 1986).

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Conforme registrado, nas últimas experiências feitas por H. G. Andrade e seus colaboradores em Bauru, foi empregado o Tensionador Espacial Magnético – T.E.M. Os resultados finais sugeriram que, na Câmara de Campos Compensados (CCC) do T.E.M., criou-se um campo estimulador dos processos biológicos; mais especificamente, um CBM. Andrade presume que seja o mesmo campo implicado na ligação do Espírito com a matéria orgânica dos seres vivos, no processo da reencarnação.
Diz Andrade, em vista das características do meio de obtenção do referido campo e dos seus efeitos sobre o crescimento das culturas de bactérias, parece razoável a suposição de que se trate realmente do CBM postulado pelos vitalistas e, ao que parece detectado por ele.
“Admitindo”-se que todo ser vivo, seja qual for, desde os vírus, as biomoléculas, as bactérias, até os animais superiores e, inclusive os vegetais, possui um fator que o anima e o organiza mediante um CBM, teremos dado um passo para explicar o surgimento da vida em nosso planeta.
“Complementado tal hipótese de trabalho, poderíamos explicar também a evolução biológica, acrescentando às teorias de Darwin, Mendel e Morgan a hipótese da reencarnação”.
Diz Andrade, “reconhecemos que a nossa proposta poderá parecer excessivamente otimista ou mesmo ingênua. Especialmente porque ela envolve um postulado ainda negado pela Ciência oficial: a existência do Espírito.”
Dois anos antes de seu desencarne, Andrade já passou a outros grupos o seu know-how. Agora resta aguardar os resultados e o que a criatividade desses grupos irá produzir daqui para frente.

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Foi um incansável divulgador dos estudos, teorias e pesquisas levadas a efeito no País e no exterior em livros e em periódicos. Manteve durante vinte e sete anos a página “Espiritismo-Ciência” no jornal Folha Espírita. Colaborou com numerosos artigos para outros periódicos como: No Mundo Maior, Obreiros do Bem, Revista Internacional de Espiritismo, Revista de Espiritismo, Planeta e Visão Espírita. Apresentou comunicações em Congressos de âmbito nacional e internacional, com textos inseridos em anais e “proceedings”. Participou de diversas antologias e coletâneas de ensaios. Contou, em todo esse labor, com a inestimável colaboração da professora Suzuko Hashizume, durante trinta e sete anos.
Coordenou e supervisionou a tradução da obra Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação, (1970), de Ian Stevenson, dos fascículos sobre Parapsicologia, elaborados por Elsie Dubugras, e do fascículo sobre “Efeito Kirlian” publicado pela Editora Três e prestou assessoria científica na elaboração do Dicionário de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo, de autoria de João Teixeira de Paula. Seu nome aparece como verbetes na Enciclopédia da Vida Após a Morte de autoria de James Lewis, e seus trabalhos constituem a terceira parte (mais de cem páginas) dos livros Flying Cow e Indefinity Boundary do pesquisador inglês Guy Lyon Playfair (o primeiro traduzido para o vernáculo e publicado pela Editora Record sob o título A Força Desconhecida). Em 2011 Guy Lyon Playfair publicou em Londres, uma coletânea de pesquisas realizadas por Hernani com o título: Science & Spirit pela Editora Roundtable Publishing House Limited.  Por esta mesma editora a Sra. Elsa Rossi traduziu e publicou em Londres, em 2010 a edição inglesa de Renasceu por Amor com o título Reborn for Love. Em 2010, por iniciativa da Sra. Fernanda Marinho Göbel, residente na Alemanha também foi publicada a edição alemã deste mesmo livro Renasceu por Amor.
Deixou as seguintes obras: A Teoria Corpuscular do Espírito (1958) ed. autor; Novos Rumos à Experimentação Espirítica (1960) ed. autor; Parapsicologia Experimental (1967) ed. Calvário, SP; Caso Ruytemberg Rocha (1971), ed. autor; A Matéria Psi (1972), ed. O Clarim; Morte, Renascimento, Evolução (1983), ed. Pensamento; Espírito, Perispírito e Alma (1984), ed. Pensamento; Psi Quântico (1986) ed. Pensamento; Reencarnação no Brasil (1988) ed. O Clarim; Poltergeist (1989) ed. Pensamento; Transcomunicação Instrumental (1992) ed. Folha Espírita; Renasceu por Amor (um caso que sugere reencarnação) (1995), ed.. Folha Espírita; Transcomunicação Através dos Tempos (1997), ed. Folha Espírita; Morte, uma Luz no Fim do Túnel (1999) ed. Folha Espírita; Parapsicologia – Uma Visão Panorâmica (2002), ed. Folha Espírita; Você e a Reencarnação (2003), ed. CEAC, A Mente Move a Matéria (2004 publicada após seu desencarne pela Editora Folha Espírita) e Você, o Poltergeist e os Locais  Mal-Assombrados (publicada pela Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier, de Votuporanga, SP, em outubro de 2006, também após sua morte).
Redação: Y. Shimizu e S. Hashizume

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Pathwork - Entrevista com Eva Pierrakos




“Esta é uma entrevista na íntegra de Eva Pierrakos conduzida por Charles Rotmil, reproduzida com sua autorização. Charles Rotmil participa do Pathwork desde 1963 e esteve com Eva de 1963 ate seu falecimento. Atualmente reside em Maine.”

CHARLES: Poderia descrever o ambiente no qual cresceu?

EVA: Meu pai era um escritor muito famoso, nessa época. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda é relativamente famoso na Europa. Tínhamos um ambiente fantástico. Havia todos esses escritores, Thomas Mann, Bruno Walter, Herman Hesse, Arthur Schnitzler...que eram a elite intelectual de Viena. Eu desenvolvi um tipo de atitude anti-intelectual como protesto, que provavelmente foi minha forma de rebelião. De certa maneira, esse era ao mesmo tempo, um ambiente muito bonito. Muito culto ... tínhamos dinheiro sem sermos ricos, mesmo assim tínhamos uma vida muito luxuosa. Tínhamos uma propriedade no campo, onde meu pai vivia com sua segunda esposa, e uma linda mansão, e eu cresci nessas duas casas.

CHARLES: Que idade tinha então?

EVA: Meus pais se divorciaram quando eu ainda era muito pequena e quase não tenho lembranças de quando eles viviam juntos. Desde quando posso me lembrar, eles estavam em litígio judicial e havia um ódio absoluto entre eles, apesar de que naturalmente, eu não tinha consciência disso na época. Eu fui uma criança muito feliz --- eu somente sentia uma extrema inquietação quando via meus pais juntos. Isso era uma agonia. Por outro lado, minha madrasta e eu convivíamos bem. Ela era uma mulher dura e fria e eu não gostava dela; mas eu acreditava que gostava. Era uma mulher muito elegante. No verão, eu vivia três meses com meu pai, bem como no Natal e na Páscoa, o tempo restante eu passava, em Viena com minha mãe.

CHARLES: Como era o ambiente religioso nessa época?

EVA: Nenhum. Não havia nenhum. Meus pais, nem um nem o outro eram ateus; eles acreditavam em Deus, mas não falavam sobre isso. Havia uma orientação cristã, mas não havia uma educação religiosa.

CHARLES: Naquele tempo, qual era a sua concepção de Deus?

EVA: Não tinha nenhuma. Eu não pensava sobre isso.

CHARLES: Teve algum pressentimento ou aviso antecipado de algo excepcional acontecendo.

EVA: De maneira alguma! (rindo) Isso, dizendo muito pouco. Eu era, ao contrário, muito mundana. Nada espiritual. Estava completamente voltada para o exterior. Eu ria disfarçadamente, quando qualquer um falava sobre fenômenos psíquicos. De certa modo eu era muito superficial.

CHARLES: Quais eram, suas primeiras aspirações então?

EVA: Eu queria ser bailarina e comecei dançar ballet em criança. No inicio, ainda muito jovem, comecei a representar na escola. Meu pai era muito perfeccionista nessas coisas. Ele disse que, se eu não fosse uma bailarina ou artista qualquer de primeira classe, era melhor não ser nada... Desista durante dois anos. Se seu caminho é o de ser uma grande bailarina, você vai reiniciar o ballet. Não fiz isso, portanto penso que não era essa a minha vocação.

CHARLES: Com certeza dança hoje em dia. Lembra-se de ter tido, com pouca idade, algum sonho marcante?
EVA: Sim, mas não era nenhum prenúncio de tarefa ou algo assim. Isso veio depois.

CHARLES: Lembra-se de algum acontecimento de maior importância em sua infância que lhe causou impacto? O divórcio poderia ser um deles.

EVA: Realmente, o impacto era o constante clima de ódio entre meus pais, o processo judicial, a pensão alimentícia e a absoluta alienação entre meu pai e minha mãe. Esse era o clima constante, mas de alguma maneira consegui me acostumar a isso. Me adaptei a isto. Não podia nem mesmo imaginar um outro tipo de vida Em certo sentido, eu era como meus irmãos mais velhos e minha irmã. Havia uma considerável diferença de idade entre nós. Eles eram mais velhos do que eu e sofreram muito mais. Sabe, eles ainda se lembravam de quando meu pai e mãe viviam juntos, e isso foi muito dolorido para eles. Eles tiveram um trauma maior do que eu. Eu nem mesmo me lembrava deles (juntos). Por isso digo, que é melhor ter pais divorciados quando esses não se entendem, do que ficarem juntos por causa da criança. É um clichê tão bobo ficarem juntos por causa dos filhos. Isso não faz sentido.


Charles: Quantos anos você tinha quando teve o primeiro sinal de mudança ou de alguma coisa acontecendo?

Eva: Não foi uma mudança. Eu ainda era muito jovem, final da adolescência talvez. A mãe de uma amiga minha era espírita e fazia o jogo do copo. E nós fizemos. Foi no sul da França. Fizemos para nos divertir, e o copo começou mesmo a se mexer e a dar respostas. Eu não entendia, na época. Era "brincadeira de criança" e nós não sabíamos mesmo que estávamos brincando com fogo! No meio do dia estávamos na cabana de uma das garotas. A mesa se jogou contra mim e quase me bateu no estômago. Eu sei, não havia como ser um truque; fiquei muito desconfiada. Olhamos embaixo da mesa, mas havia somente estas duas outras garotas e eu. Este é o único fenômeno que eu lembro. E aí, eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Eu realmente não acreditava em espíritos. Eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Perguntava para as pessoas que sabiam mais a respeito e contava a eles o ocorrido. Perguntava para eles: "O que é isto? O que fez com que a mesa se movesse?" Ninguém conseguiu me dar uma resposta inteligente. Isto foi durante a guerra e eu não pensei mais a respeito. Então aquilo voltou bem mais tarde. Na primeira vez em que estive na Suiça, depois de ter estado nos Estados Unidos. Foi em 1952.

CHARLES: Aconteceu depois que veio para a América? Como veio aos Estados Unidos?

EVA: O pai de meu primeiro marido, Herman Broch, também era um escritor famoso. Ele nos deu um "visto por perigo", porque estávamos na França durante a ocupação*. Foi antes de casarmos. Casamos quando viemos para cá. Assim cheguei na América. Isso foi em 1941...em seguida casamos. E eu me tornei cidadã* durante a ocupação**.
*cidadã - refere-se a tornar-se cidadã americana
**refere-se a ocupação alemã da França.

Charles: OK. E quando você voltou para a Suíça o que aconteceu? Você diz ter tido escrita-automática.

Eva: Em 1951, que foi mais ou menos um ano antes, eu estava em Zurique com a minha mãe, a minha irmã e o homem com quem eu vivia, o André, um príncipe russo com quem eu tive uma relação intensa, embora nós não tenhamos nos casado porque ele não conseguiu obter o divórcio. Minha mãe nos disse que tinha uma amiga, era médium, e talvez nós quiséssemos ir vê-la. Eu disse: "OK. Vamos lá. Vai ser divertido... como ir ao cinema." Então ela disse: "Você tem que prometer levar a sério e não rir!" E foi assim que eu fui! (risadas) Estava toda preparada para rir. Foi muito interessante, me afetou, e eu percebi que não se tratava de uma coisa para rir. Havia algo em mim que me dizia para levar aquilo a sério. E eu escutei; e aí começaram estas palestras em transe. Acontecia de vez em quando, mas eu nunca tinha a menor idéia do acontecido. Era a última coisa que eu queria, mas era interessante. Comecei a ler livros sobre Fenômenos Psíquicos e Comunicação Espiritual. Abri a minha mente para estas possibilidades e me interessei. Aí esta mulher que nos levou até lá falou a respeito de reencarnação. Isto fazia sentido para mim, eu acreditava. Aí, esta mulher falou sobre a escrita automática e coisas do gênero. Ela tinha feito escrita automática uma vez, o que tinha se tornado muito perigoso porque ela não conseguira controlar. Agora, ela estava pronta para fazê-la de novo. Disse que eu poderia começar com ela. Eu disse: "Está bem, eu não tenho nada melhor para fazer!" Sentei-me com ela e ela começou a escrever automaticamente por um tempo. Então comecei a meditar a primeira vez na minha vida. Aí tive uma experiência interessante... Quase que me esqueço disso. Eu estava sentada, meditando, era verão, perto havia uma janela aberta. De repente, pela primeira vez, houve algum tipo de sinal. Isto foi em Zurique, na véspera de ano novo em 1950. Na Suíça, eles tocam todos os sinos de igreja. Foi então que eu senti alguma coisa, um poder incrível, como o poder de Cristo... como se os anjos estivessem lá. Eu não tinha nenhum conceito de tais coisas, mas foi alguma coisa tão forte que me forçou a ajoelhar. Foi incrível! Aí eu deixei isto de lado e esqueci completamente. Aquilo foi como um anúncio das coisas por virem. Este foi o mesmo ano em que eu fui levada à médium, sem saber o significado disto. Então, veio tudo muito rápido. Foi em 1951, início de 1952.

Novamente eu estava sentada perto da janela, meditando, no verão. Aconteceram muitas vezes, não apenas aquela. Senti um aroma incrível. Não era nenhum aroma que viesse de nada real. Olhei em volta do lado de fora. Não conseguia nem descrever este aroma. Era um aroma espiritual, mas ao mesmo tempo muito real e terreno. Provocou-me um sentimento tão inacreditável que não consigo descrever. Se for aproximado, era uma combinação de essências de madeira e metal. Era inacreditável. Imagino que os anjos tenham este cheiro. Quando isto me aconteceu, eu fiquei tão confusa. Junto com aquele aroma eu sabia que havia algum significado espiritual e eu deixei o assunto de lado. Aquilo foi muito forte. E então, talvez poucos meses depois daquilo, no verão de 1952, em agosto, eu ainda estava na Suíça, um dia eu estava sentada em casa e a minha mão ficou muito pesada, a minha mão direita. Eu estava sentada com os cotovelos sobre a mesa. Minha mão foi meio que puxada para baixo e começou a mover-se por conta própria. Peguei um lápis e ela se moveu. Fiquei muito entusiasmada. Eu não queria fazer escrita automática, e, ao mesmo tempo, estava fascinada. Não fiz muito, somente algumas linhas na diagonal atravessadas no papel. O fato de alguma coisa mover-se além da minha vontade era entusiasmante, assustador, fascinante, muito intrigante. No dia seguinte eu fui até a mulher que sabia a respeito disto e ela reagiu como se fosse algo trivial. Disse: "OK, você faz escrita automática." Passei a sentar-me para isto duas ou três vezes por semana.

Charles: Você estava recebendo algum tipo de mensagem?

Eva: Vieram muitas escritas diferentes, mensagens. Era apenas um passatempo muito interessante. Jamais me ocorreu que aquilo se tornaria no que se tornou... Jamais me ocorreria em um milhão de anos.

Charles: Quando o Guia começou a se manifestar, houve um período em que ele lhe disse que você teria que passar por sua própria purificação antes que pudesse aceitar isto.

Eva: No começo da escrita automática houve muitos testes, muitas entidades diferentes vindo, uma mistura total de níveis... espíritos muito baixos. Tive que aprender a não acreditar no que diziam, que existem muitos perigos, comunicação errada, e a não engolir tudo o que diziam. Com muita freqüência eu era tentada a jogar tudo para o lado. "Talvez a Igreja esteja certa, você não deve ter nada a ver com isso - é muito confuso."

Aí surgiram mensagens intermediárias que eram a tal ponto fenomenais, que foram incríveis - coisas que eu não tinha como saber, e que se verificou serem verdadeiras. Eram realmente impossíveis, coisas que eu nunca acreditaria que pudessem ser daquele modo. E elas eram verdadeiras. E coisas que eram falsas. Previsões! Embora eu não soubesse, na época, que não se deve preocupar-se com previsões... muitas coisas. Então, aos poucos, eu aprendi a lidar com estas coisas, a questionar estes espíritos, a aprender que muitos deles são simplesmente espíritos baixos e que precisam de ajuda. Mentem como seres humanos, fingem ser o que não são. Levei muito tempo para descobrir isto.

Muito gradualmente, aos poucos, uma vez ou outra, vinha uma escrita que era muito diferente. Mais tarde, fiquei sabendo que era o Guia: aconselhamento fantástico sobre desenvolvimento pessoal. Não vinha muito freqüentemente, mas realmente me testava pois estava misturado com estas outras coisas. Foi para mim, neste estágio precoce, um treinamento inacreditável lidar com isto. E havia tanta confusão. Chegou um ponto em que eu decidi que era demais, que não dava para mim. Desisti. Mas quando desisti tive um sentimento ruim, inacreditável, com se a vida tivesse ido embora de mim... como um frio em mim... escuridão em mim... Um sentimento de ter feito alguma coisa errada. Então, depois de dois dias eu retomei e me senti bem com isto. Mais ou menos ao mesmo tempo, a mediunidade auditiva se desenvolveu... não ouvir vozes, como vocês ouvem vozes, mas como se a falação estivesse dentro de mim, não no meu cérebro. Mais tarde isto acabou sendo o meu canal. O primeiro sinal da abertura do canal. Muitas coisas aconteceram em poucos meses. Nestes poucos meses, este aconselhamento incrível, lúcido, sábio, forte - eu acho que era o Guia, ele não se identificou - disse: "Sim, você tem uma tarefa!" E não me disse nada mais a respeito. O importante é o seu desenvolvimento pessoal. Então, mais tarde, na palestra falou-me diretamente o que eu tinha que fazer para enfrentar os meus problemas, dando-me guiança sobre como trabalhar comigo mesma.

Charles: Então você meio que tinha as palestras em microcosmos antes de chegarem... dentro de você!

Eva: Uma revisão diária... meu próprio canal escrevendo todas as noites... revisão diária. E sobre o que eu escrevia, as respostas vinham - escrita automática - e que direção tomar a respeito. Outra coisa: fui logo informada de que eu saberia mais do que esta outra mulher e que não precisava mais dela, embora precisasse porque eu não deveria fazer isto sozinha. "Você não deve fazer isto sozinha. É uma lei... uma lei Espiritual!"

Charles: Aterramento?

Eva: Sim, e o fato de que há decepções às vezes. É muito envolvente e você pode ser completamente pego nisto. Aí esta mesma voz, esta guiança, me disse que quando eu tivesse feito um aterramento suficiente na minha purificação, algumas outras pessoas seriam guiadas até mim, que também poderiam receber ajuda através deste canal e que me ajudariam me dando apoio e ficando comigo durante os transes e coisas do gênero. Naquela época - foi em 1952- o André e eu íamos voltar para os Estados Unidos. Ele tinha perdido o emprego com uma exportadora e não havia nenhuma razão lógica para presumir que voltaríamos para a Suíça porque ele precisava de um emprego e não se conseguia emprego para cidadãos americanos na Europa. Então o único jeito era voltar para os Estados Unidos. No que eu escrevia, vieram estas previsões incríveis. Naquele tempo eu ficava desconfiada com previsões. "Você voltará num futuro próximo porque precisa de treinamento. Haverá certas fases em que você precisará voltar." Foi uma daquelas coisas. Eu a rejeitei completamente. Deixei de lado. Bem, no outono de 1952 nós voltamos para os Estados Unidos. Eu queria retomar porque tinha tido o estúdio de dança antes o qual tivera de abandonar quando fomos para a Europa.

Charles: Quer dizer que você estava dando aulas?

Eva: Não havia motivo pelo qual eu não devesse me sustentar, mas aí eu recebi esta mensagem: "Agora é hora de esquecer completamente - a escrita automática - qualquer tipo de fenômenos; você tem que se concentrar completamente no seu próprio desenvolvimento e não fazer nada mais. Você não deve nem trabalhar por este curto período de tempo." Eu disse: "Como? Não é justo!" E o André foi muito bom a este respeito, ele aceitou. Então eu me concentrei realmente por um ano e meio mais ou menos; totalmente concentrada no meu próprio caminho. O canal só funcionava para isto. Somente me dizia tudo o que eu precisava a meu respeito. É por isto que quando eu ouço falar de pessoas que recebem mensagens fabulosas, como a Ann White, mas que não se trabalham, fico muito desconfiada.

Então, depois de um ano e meio de treinamento muito intensivo, pela primeira vez eu recebi o sinal verde: "O primeiro sinal verde vai ser dado a você agora. Você não tem que sair procurando ninguém... ele virá." Eis que eu e uma velha amiga nos encontramos e falamos sobre estas coisas. Eu não recebi um convite, eu não fazia idéia. Ela me disse: "O quê? Você pode fazer isto? Poderia escrever isto para mim?"

Isto foi na cidade de Nova Iorque entre 1952 e 1954. No início de 1954, ela teve algumas sessões com o seu pai. Ela veio e eu fiz a escrita automática e nenhuma da coisas que vieram tinha nada a ver com fenômenos. Cada vez mais o que eu escrevia se direcionava a ajudar as pessoas com o seu próprio caminho. Este foi o início do canal.

O André estava procurando emprego. Um dia ele conseguiu uma oferta do Marquis de Cuevas Ballet. Sendo originalmente o Ballet de Monte Carlo, eram muito famosos em Paris. O Marquis era o marido da Margaret Rockfeller. Eram bons amigos do André que tinha este nível de "alta sociedade" em sua casa. O Cuevas o convidou para ser gerente deste ballet em Paris. Por toda a minha vida eu sempre estive a margem de dançar, primeiro com o Harkness Ballet e agora com o Marquis de Cuevas Ballet. Era tão engraçado, como se tivesse talvez um dia sido o meu caminho, mas não nesta vida. De qualquer forma, o André recebeu esta proposta muito interessante para ir para Paris como gerente do Cuevas. De um dia para o outro, nos vimos de volta à Europa. Eu havia esquecido completamente que isto era o que tinha sido previsto. Ficávamos um pouco em Paris, indo e vindo de Zurique. Então o André começou a viajar muito com eles e eu me vi, de alguma forma, de volta a Zurique, onde eu havia estado antes. Foi lá que o meu treinamento, a minha mediunidade continuou. Fui guiada a uma outra moça, que também era uma amiga, que passou a fazer as sessões comigo. Ela também canalizava e nós nos encontrávamos com regularidade; entramos nisto.

Então um dia veio a mensagem: "Esta é a hora certa para você começar a treinar para o transe." "Eu não consigo entrar em transe, nunca consegui... é impossível!" "Sim, sim, você tem que fazer uma sessão." Deram-me instruções sobre o que fazer. Falaram-me sobre como abrir mão dos pensamentos, como não pensar, como deixar a minha mente fluir completamente. Disseram-me que eu devia fazer isto duas vezes por semana na presença da outra moça. E depois que fizéssemos isto, haveria sessões em que viria a escrita automática. Cada vez menos estes outros espíritos vinham pois eu realmente tinha aprendido a controlar e a discriminar. A guiança - ou o Guia - vinham na escrita automática. Eu nunca tinha pensado que entraria num transe; eu estava tão "lá". Acho que eu apenas perseverei. Aí, depois de um ano e meio de sessões, consegui entrar em transe. Profundo relaxamento.

De qualquer forma, a primeira vez que entrei em transe, nenhuma voz veio e eu apenas fiquei em transe. Foi um sentimento incrível, e daquela vez em diante eu consegui fazê-lo sem dificuldade. Então, na segunda vez que entrei em transe, veio a voz. Desde então, ela veio. Isto foi por volta do fim do outono de 1956.

Charles: Quem eram as pessoas do seu meio que deram suporte, que escutaram?

Eva: Naquela época, havia se formado um pequeno grupo em Zurique. Esta moça que mencionei aos poucos trouxe os outros seis, oito a dez pessoas e estes vinham com regularidade. Nos encontrávamos mais ou menos uma vez por semana para uma sessão com o Guia e ele lhes dava instruções. Foi por volta do fim da primavera de 1956 e início do outono. Uma das mensagens do Guia foi: "Quando você voltar para os Estados Unidos um grupo se formará. Mais tarde, outras pessoas virão e elas serão o núcleo do grupo que se formará em definitivo para a tarefa que você cumprirá." Não dava nem para começar a inventar a coisa, é tão forçado. Logicamente a voz não me disse nada sobre a vastidão da coisa. Eu pensei que o faria como um passatempo... para amigos, sabe. Por diversão, por interesse - não achava que isto seria a minha vocação. Aí, voltamos aos Estados Unidos em 1956 e este grupo realmente se formou. Lembro-me muito bem quem eram as pessoas.

Charles: Quem eram?

Eva: Bem, você não os conhece. Havia entre seis e oito pessoas que se reuniam e eu lhes dava uma sessão de transe a cada duas semanas. Foi isto, sabe. Foi assim que começou.

Charles: Obrigado. Agora eu posso passar para perguntas recentes. Por exemplo, o que você pode dizer sobre a energia que você sente agora do Guia em comparação à energia que sentia na época?

Eva: Energia inacreditavelmente mais forte... Inacreditável. Não há comparação. Fica sempre mais forte, cada vez mais pura.

Charles: Deve haver um sentimento tremendo quando você entra em transe. Tem alguma maneira de você descrevê-lo?

Eva: É muito difícil colocar este sentimento em palavras. Sabe, as pessoas geralmente pensam em transe como sendo alguma coisa inconsciente e isto não é verdade. Pode haver estados de transe em que se fica realmente adormecido. Não é o caso. Não é que eu não fique consciente, fico super-consciente. Não sei se isto faz algum sentido: é uma super-focalização da consciência. Esta super-consciência é o canal. A minha mente fica fora disto. O que o transe realmente significa é o permitir que outra consciência venha, o que é uma super-focalização - uma intensificação da consciência - o que soa muito contraditório.

Por um tempo muito longo antes de entrar em transe, havia sempre uma pequena ansiedade que tinha a ver com o tempo em que eu recebia coisas sem sentido - ou não recebia nada - o que criava dúvidas a meu próprio respeito. No momento em que eu consegui entregar, entregar para a vontade de Deus, perdi aquela ansiedade e agora me sinto muito confiante. O que é realmente prazeroso é quando saio do transe. O sentimento é de uma tremenda realização e existe um tremendo fluxo de energia nova.

Charles: Só para mudar de assunto um pouquinho. Alguém me contou que, a única vez que você cancelou uma palestra do Guia foi quando um dos gatos morreu. Você poderia falar sobre isto? Também sobre a sua relação com a Psyque. Existe um significado para isto.

Eva: Isto é engraçado. É verdade.

Charles: É surpreendente: aconteça o que acontecer, você está lá.

Eva: Sim. Bem, no dia em que o gato morreu eu estava muito aborrecida. Eu adoro os meus gatos e tenho uma relação muito especial com eles e deduzi pelos meus sonhos que os meus gatos têm uma representação simbólica muito forte para mim. Os meus antigos gatos: o Patsy era o macho e a Micky a fêmea; e o Patsy morreu. De alguma forma aquilo foi o aviso do fim da minha relação com o André, que foi muito doloroso. Mas é claro que eu não sabia disso, quando aconteceu. Eu apenas vivi o luto pelo Patsy! Se você me perguntar sobre a relação entre os meus gatos e os meus sonhos... Bem, o Patsy era o princípio masculino e a Micky era o princípio feminino em mim. Foi muito interessante. Logo depois que eu conheci o John, a Micky morreu. E aí eu ganhei a Psyque. Quando a Micky morreu eu sabia que simbolicamente era a minha feminilidade antiga que já estava doente, e então morreu. A minha nova feminilidade e renascimento vieram com a Psyque. Ela era muito mais bonita e vibrante do que a Micky. Você tirou uma foto dela.

Charles: Sim, eu tenho a foto. Eu gostaria de perguntar: Parece-me que você teve três encruzilhadas na sua vida. Uma: a vinda do Guia. Segunda: a operação, e a terceira, a sua recente mudança de voz, o que abriu a sua receptividade. Se você pudesse falar sobre estes três pontos.

Eva: O Guia já falou sobre isto. Houve um outro ponto importante por volta da época da operação. Esta foi a crise mais importante da minha vida, e foi uma encruzilhada incrível no meu Caminho. Os místicos falam sobre "a noite escura da alma". Foi o fim da relação com o André, que foi muito doloroso. Aí eu tive muitos problemas com as pessoas ao meu redor naquele momento... o Walter Heller, a Anne Heller, a Rose... pessoas que você não conhece.

Charles: Lembro deles.

Eva: Alguns deles você conhece. Tive muita discórdia com eles e muitas coisas negativas aconteceram. Eles eram realmente os pilares que haviam me sustentado! E a discórdia foi muito, muito dolorosa. De repente, me vi sozinha!

Charles: Isto parece a Queda.

Eva: Aí, foi quando o Patsy morreu, tudo aconteceu junto: um incrível enfrentamento das minhas próprias dúvidas sobre o meu canal e o seu significado. Enfrentei muitas dúvidas que eu tinha sobre a Fé. Foi muito difícil para mim enfrentar isto. Eu fiz; tive que enfrentar. Sabe, a Jane Roberts descreve isto também. De onde vem isto... Testes! Foi muito doloroso. Depois, a minha operação. É claro que eu pensei que era o fim da minha vida como mulher. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Eu tive sonhos premonitórios a respeito, na ocasião: sonhos tremendos, grandes, o que foi um período de total inquietação, de testes na minha vida. Digo que se eu não tivesse passado por testes, o Caminho nunca teria se desenvolvido.

Charles: Isto parece o teste final!

Eva: Sim. Primeiro o canal começou e as pessoas vieram e foi bom, e palestras adoráveis iniciaram e a ajuda foi dada. Embora num primeiro momento a ajuda tenha sido dada numa sessão de transe pois eu não tinha o conhecimento de uma helper. Aprendi a ser uma helper nas sessões de transe, quando recebia o Guia. Isto aconteceu durante um tempo, então vieram estes testes! A enorme revolução... A noite escura. Aí eu saí daquilo e foi isso.

Charles: E agora? A voz é uma nova mudança.

Eva: Começou na primavera, em maio do ano passado. Eu tive uma vivência incrível de Cristo no Centro. Eu contei para você. Depois disso, a energia ficou incrível. Aí, eu peguei o vírus e o carreguei durante meses; não conseguia me livrar dele. A laringite aconteceu há dois meses e está realmente entrando em um nível de uma nova energia. Mas não está horrível como da outra vez.

Charles: Está mais suave. Como é que o John entra nisso tudo?

Eva: O John entra através dos Alpert. O Bert Alpert era paciente do John. Ele veio um dia até o John. Trouxe vinte palestras e disse: "conheço uma médium que tem um canal fantástico." E quando o John ouviu a palavra médium ele quis ficar fora disto. Ele tinha muitas dúvidas. Mas o Bert disse: "Leia estas palestras." Aí o John disse: "OK." Então ele leu as palestras e ficou totalmente entusiasmado e disse que era incrível: era o que ele vinha procurando durante toda a sua vida. Disse: "Era tudo carne e não tinha batatas!"- foi esta a expressão que usou. Aí pediu o meu endereço para o Bert. Escreveu para mim; lembro-me com clareza. Voltei de Harkness no dia 4 de julho de 1966 e encontrei a carta do John Pierrakos: "Sou um psiquiatra de Nova Iorque e o material é muito incrível e eu gostaria de comprar todas as palestras e gostaria de falar com você." Foi assim que o conheci.

Charles: Foi assim que ele veio às palestras.

Eva: Sim.

Charles: E aí, posso perguntar quando foi que começou o romance?

Eva: Pode perguntar, não é nenhum segredo. Ele escreveu a carta e eu respondi e dei a informação de que as palestras estavam disponíveis e que, se ele quisesse me ligar, seria um prazer falar com ele. Então ele me ligou e nós marcamos um horário. E eu lembro que José me ajudou a reunir todas as palestras; não sei quantas palestras havia, talvez cento e cinqüenta. Preparamos todas as palestras e o John apareceu lá. De imediato eu tive uma incrível simpatia por ele. E começamos a conversar e ele me falou da sua vida. Aí falou que sentia que tinha traído Reich. Era o tipo da coisa que se diria no Caminho. Eu disse: "Meu Deus!" Eu gostara tanto dele. Disse: "Este homem é incrível." Depois eu soube que ele era casado e disse para mim mesma: "Esqueça isto, é ridículo." Foi como uma vivência subliminar. Havia um tipo de familiaridade a respeito, uma sensação de que era isto! E ainda assim, o meu consciente dizia: "esqueça!".

Charles: Parece uma tremenda reciprocidade.

Eva: Havia tanta identificação, tanto entendimento. Ele era exatamente como o homem que eu estava procurando, com a restrição de que era casado. Eu estava indo embora para Watchhill. E ele disse: "Vamos nos encontrar quando você voltar, eu gostaria de falar mais um pouco com você. E eu também gostaria muito de participar de uma sessão com o Guia e quero perguntar muitas coisas."

Ah, esqueci, houve uma outra coisa muito interessante. Mais ou menos um ano antes eu conheci uma mulher inglesa que lia mãos (geralmente eu não me interesso nem um pouco por isso) cujo nome era Diane Elliot. Ela me foi recomendada pela Rebecca Harkness. Ela me falou: "Vai nesta mulher, ela é fantástica." Ela tinha um pequeno apartamento no Carnegie Hall onde, mais tarde, recebemos as palestras durante um tempo. Fui até ela. Isto foi um ano ou dois antes de eu conhecer o John. Ela era uma mulher linda, muito espiritualizada. Assim que Diane entrou na sala - ela não me conhecia de Adam - me falou a respeito do meu canal espiritual. Disse: "Você tem uma energia fantástica." Depois disso ela leu as palestras. Aí ela olhou as minhas mãos e me falou coisas fantásticas sobre o meu passado, absolutamente tudo. Então, disse: "Você vai conhecer um psiquiatra neste verão que está muito envolvido com campos de energia e é muito científico. Ele não está só praticando a psiquiatria, mas está muito envolvido com os aspectos científicos da energia. E ele é viúvo e vocês vão se casar e ter uma relação fantástica, um casamento muito bonito. Quando você voltar deste verão você vai conhecer este homem e terá uma conversa com ele." (Isto foi em 1962-63) "e você vai achar a conversa com ele a mais estimulante que já teve."

E, é claro, eu tinha esperado este homem, e ele não tinha aparecido: 1963 nada, 1964 nada, 1965 nada. Eu disse: "Esqueça isto, não faz sentido." Desisti; esqueci completamente o assunto. Disse: "Você não pode acreditar nestas previsões." Ela era ótima no que se referia ao passado, mas não ao futuro. Eu ainda não acredito em previsões do futuro, mas uma vez que outra acontece. Então, de qualquer forma, eu tirei isto da minha cabeça. Aí, quando eu vi o John a Segunda vez, passamos uma tarde juntos e conversamos. No final da conversa ele disse: "Bem, esta foi a conversa mais estimulante que já tive!" E eu disse: "Ai, meu Deus, o que foi que você disse?" E ele: "Qual é o problema? Você não concorda?" Eu disse: "Sim." Eu não queria dizer nada a ele: eu ficava pensando o tempo todo: ele é casado! Esqueça!

Assim, conversamos e jantamos juntos e marcamos um horário para uma sessão com o Guia. Ele perguntou: "Quanto você cobra? Eu quero trabalhar com você. Preciso desta ajuda." Minha voz interior me disse: "Se você se envolver com ele como profissional, nunca poderá haver nada entre nós." E aí eu disse: "Não quero isto. Não cobro nada. Eu também quero aprender com você." Era isto mesmo que eu queria dizer, mas era uma voz interior: "Se ele vier como profissional vai ser o fim, eu sei disso! O meu sentimento era tão forte, e ainda assim o meu mental dizia: "ele é casado, esqueça isto!" Então ele participou de uma sessão com o Guia e, na sessão com o Guia foi informado de que um dos seus problemas era ser muito infeliz em seu casamento que não tinha saída. Esta foi a primeira vez que eu me abri para ele. E foi assim que começou.

Charles: Que bonito! Mais uma coisa que eu gostaria de perguntar: Arosa. Sei que tem um significado especial, imagino a palavra "arising" do inglês. ( N.T.: arising= que surge, emergente) Qual é o significado para você? E para todos nós em Arosa? Você não costumava ir lá quando jovem?

Eva: Eu não ia à Arosa quando era jovem. Em 1963 a minha mãe morreu. Enquanto ela ainda era viva, de 1961 a 1963, eu ia à Arosa todos os verões com a minha irmã para visitá-la. Combinávamos a visita com as férias. E em 1963 ela morreu. E aí, de alguma forma eu tive a idéia de, ao invés de irmos lá no verão, poderíamos ir nas férias de inverno esquiar. Então, em 1965, fomos à Arosa no inverno. Gostei tanto de lá que não consigo comparar a nenhum outro lugar. É cheia de paz, é bonita, é ensolarada e tem mil vantagens que outros lugares não têm. Eu fui fisgada. Naquele tempo, para mim, era um tempo de férias necessário para descanso, reabastecimento e regeneração.

Todas as férias eram sempre uma preparação para uma nova fase no Pathwork e em mim mesma. Então eu fui lá em 1965 e 1966 com a Miana. Em 1967 eu já conhecia o John, mas é claro que ele não foi - ele nunca tinha esquiado na sua vida. Durante os anos que eu o conheci, fui lá sem ele. Eu tinha uma coisa que eu queria mostrar aquilo para ele, queria compartilhar com ele. Mas quando eu falava para ele, ele não se interessava. Sendo da Grécia, serra e neve não tinham nenhum significado para ele. Mas eu sabia que seria incrível se ele visse aquilo. Em 1969 foi a primeira vez que ele foi. Foi também nesta época que ele deixou a sua primeira esposa e veio morar comigo. Aí ele viu, começou a esquiar, teve aulas. Depois de umas dez aulas ele começou a gostar. O tédio inicial tinha acabado. Depois, em 1970, fomos lá juntos sozinhos. Acho que a Miana estava lá também e depois apareceu o meu irmão para nos visitar. Foi uma experiência incrivelmente profunda para mim em todos os níveis: a beleza - externa e interna- a regeneração interior espiritual e a preparação para coisas novas. Então desejamos poder dividir isto com amigos. Assim, o Bill e a Clare, o Bert e a Moira foram os primeiros a ir. Foi assim que começou. Acho que eles foram a primeira vez em 1971 ou 1972, não tenho muita certeza.
Todos os anos tem uma abertura. E todos os anos alguma coisa nasce lá, como o Centro.

Charles: Eu poderia dizer que quando ouço a estória fico estupefato, pasmo com os potenciais de cada um de nós. É uma estória realmente inspiradora e me enche de poder.

Eva: Eu lhe digo que não conseguiria nem ser justa porque é tão difícil de explicar. O começo, e o tatear, e o quanto eu não sabia nada na época. Na verdade, muitas destas coisas eu tive que aprender de maneira árdua, por tentativa e erro. Eu acho que quando as pessoas sentem ciúme de mim porque eu tenho o Guia e acham que eles poderiam sentar e fazer o mesmo eles não fazem a mínima idéia. Muito embora, com certeza, é muito mais fácil para eles agora do que foi para mim então, porque o Caminho está esboçado e eles têm a ajuda. No início, no entanto, houve muitos testes e muitas coisas pelas quais passar. Mas valeu a pena mil vezes. Eu faria tudo de novo - até as coisas mais difíceis. Pelo que é.

Charles: O que me impressiona é a idéia de dar pequenos passos. É impressionante como você deu passos muito pequenos sem fazer idéia da distância a que chegaria.

Eva: Nenhuma!

Charles: Mas você levou tudo a cabo. Eu lembro quando eu comecei no Pathwork, há treze ou quatorze anos atrás, senti que ele tinha atingido o seu apogeu, sabe. A cada palestra eu dizia: "É isso! É isso!"

Eva: Depois de cinco anos eu disse: agora nós temos tudo. Eu não sabia o que mais o Guia poderia dizer. Não conseguia imaginar o que mais poderia ser dito.

Charles: Há uma citação famosa de um poeta que não lembro o nome. Ele disse: "Pessoas como você deveriam viver mil anos."

Eva: Que amor! Obrigada.



“Esta é uma entrevista na íntegra de Eva Pierrakos conduzida por Charles Rotmil, reproduzida com sua autorização. Charles Rotmil participa do Pathwork desde 1963 e esteve com Eva de 1963 ate seu falecimento. Atualmente reside em Maine.”

CHARLES: Poderia descrever o ambiente no qual cresceu?

EVA: Meu pai era um escritor muito famoso, nessa época. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda é relativamente famoso na Europa. Tínhamos um ambiente fantástico. Havia todos esses escritores, Thomas Mann, Bruno Walter, Herman Hesse, Arthur Schnitzler...que eram a elite intelectual de Viena. Eu desenvolvi um tipo de atitude anti-intelectual como protesto, que provavelmente foi minha forma de rebelião. De certa maneira, esse era ao mesmo tempo, um ambiente muito bonito. Muito culto ... tínhamos dinheiro sem sermos ricos, mesmo assim tínhamos uma vida muito luxuosa. Tínhamos uma propriedade no campo, onde meu pai vivia com sua segunda esposa, e uma linda mansão, e eu cresci nessas duas casas.

CHARLES: Que idade tinha então?

EVA: Meus pais se divorciaram quando eu ainda era muito pequena e quase não tenho lembranças de quando eles viviam juntos. Desde quando posso me lembrar, eles estavam em litígio judicial e havia um ódio absoluto entre eles, apesar de que naturalmente, eu não tinha consciência disso na época. Eu fui uma criança muito feliz --- eu somente sentia uma extrema inquietação quando via meus pais juntos. Isso era uma agonia. Por outro lado, minha madrasta e eu convivíamos bem. Ela era uma mulher dura e fria e eu não gostava dela; mas eu acreditava que gostava. Era uma mulher muito elegante. No verão, eu vivia três meses com meu pai, bem como no Natal e na Páscoa, o tempo restante eu passava, em Viena com minha mãe.

CHARLES: Como era o ambiente religioso nessa época?

EVA: Nenhum. Não havia nenhum. Meus pais, nem um nem o outro eram ateus; eles acreditavam em Deus, mas não falavam sobre isso. Havia uma orientação cristã, mas não havia uma educação religiosa.

CHARLES: Naquele tempo, qual era a sua concepção de Deus?

EVA: Não tinha nenhuma. Eu não pensava sobre isso.

CHARLES: Teve algum pressentimento ou aviso antecipado de algo excepcional acontecendo.

EVA: De maneira alguma! (rindo) Isso, dizendo muito pouco. Eu era, ao contrário, muito mundana. Nada espiritual. Estava completamente voltada para o exterior. Eu ria disfarçadamente, quando qualquer um falava sobre fenômenos psíquicos. De certa modo eu era muito superficial.

CHARLES: Quais eram, suas primeiras aspirações então?

EVA: Eu queria ser bailarina e comecei dançar ballet em criança. No inicio, ainda muito jovem, comecei a representar na escola. Meu pai era muito perfeccionista nessas coisas. Ele disse que, se eu não fosse uma bailarina ou artista qualquer de primeira classe, era melhor não ser nada... Desista durante dois anos. Se seu caminho é o de ser uma grande bailarina, você vai reiniciar o ballet. Não fiz isso, portanto penso que não era essa a minha vocação.

CHARLES: Com certeza dança hoje em dia. Lembra-se de ter tido, com pouca idade, algum sonho marcante?
EVA: Sim, mas não era nenhum prenúncio de tarefa ou algo assim. Isso veio depois.

CHARLES: Lembra-se de algum acontecimento de maior importância em sua infância que lhe causou impacto? O divórcio poderia ser um deles.

EVA: Realmente, o impacto era o constante clima de ódio entre meus pais, o processo judicial, a pensão alimentícia e a absoluta alienação entre meu pai e minha mãe. Esse era o clima constante, mas de alguma maneira consegui me acostumar a isso. Me adaptei a isto. Não podia nem mesmo imaginar um outro tipo de vida Em certo sentido, eu era como meus irmãos mais velhos e minha irmã. Havia uma considerável diferença de idade entre nós. Eles eram mais velhos do que eu e sofreram muito mais. Sabe, eles ainda se lembravam de quando meu pai e mãe viviam juntos, e isso foi muito dolorido para eles. Eles tiveram um trauma maior do que eu. Eu nem mesmo me lembrava deles (juntos). Por isso digo, que é melhor ter pais divorciados quando esses não se entendem, do que ficarem juntos por causa da criança. É um clichê tão bobo ficarem juntos por causa dos filhos. Isso não faz sentido.


Charles: Quantos anos você tinha quando teve o primeiro sinal de mudança ou de alguma coisa acontecendo?

Eva: Não foi uma mudança. Eu ainda era muito jovem, final da adolescência talvez. A mãe de uma amiga minha era espírita e fazia o jogo do copo. E nós fizemos. Foi no sul da França. Fizemos para nos divertir, e o copo começou mesmo a se mexer e a dar respostas. Eu não entendia, na época. Era "brincadeira de criança" e nós não sabíamos mesmo que estávamos brincando com fogo! No meio do dia estávamos na cabana de uma das garotas. A mesa se jogou contra mim e quase me bateu no estômago. Eu sei, não havia como ser um truque; fiquei muito desconfiada. Olhamos embaixo da mesa, mas havia somente estas duas outras garotas e eu. Este é o único fenômeno que eu lembro. E aí, eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Eu realmente não acreditava em espíritos. Eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Perguntava para as pessoas que sabiam mais a respeito e contava a eles o ocorrido. Perguntava para eles: "O que é isto? O que fez com que a mesa se movesse?" Ninguém conseguiu me dar uma resposta inteligente. Isto foi durante a guerra e eu não pensei mais a respeito. Então aquilo voltou bem mais tarde. Na primeira vez em que estive na Suiça, depois de ter estado nos Estados Unidos. Foi em 1952.

CHARLES: Aconteceu depois que veio para a América? Como veio aos Estados Unidos?

EVA: O pai de meu primeiro marido, Herman Broch, também era um escritor famoso. Ele nos deu um "visto por perigo", porque estávamos na França durante a ocupação*. Foi antes de casarmos. Casamos quando viemos para cá. Assim cheguei na América. Isso foi em 1941...em seguida casamos. E eu me tornei cidadã* durante a ocupação**.
*cidadã - refere-se a tornar-se cidadã americana
**refere-se a ocupação alemã da França.

Charles: OK. E quando você voltou para a Suíça o que aconteceu? Você diz ter tido escrita-automática.

Eva: Em 1951, que foi mais ou menos um ano antes, eu estava em Zurique com a minha mãe, a minha irmã e o homem com quem eu vivia, o André, um príncipe russo com quem eu tive uma relação intensa, embora nós não tenhamos nos casado porque ele não conseguiu obter o divórcio. Minha mãe nos disse que tinha uma amiga, era médium, e talvez nós quiséssemos ir vê-la. Eu disse: "OK. Vamos lá. Vai ser divertido... como ir ao cinema." Então ela disse: "Você tem que prometer levar a sério e não rir!" E foi assim que eu fui! (risadas) Estava toda preparada para rir. Foi muito interessante, me afetou, e eu percebi que não se tratava de uma coisa para rir. Havia algo em mim que me dizia para levar aquilo a sério. E eu escutei; e aí começaram estas palestras em transe. Acontecia de vez em quando, mas eu nunca tinha a menor idéia do acontecido. Era a última coisa que eu queria, mas era interessante. Comecei a ler livros sobre Fenômenos Psíquicos e Comunicação Espiritual. Abri a minha mente para estas possibilidades e me interessei. Aí esta mulher que nos levou até lá falou a respeito de reencarnação. Isto fazia sentido para mim, eu acreditava. Aí, esta mulher falou sobre a escrita automática e coisas do gênero. Ela tinha feito escrita automática uma vez, o que tinha se tornado muito perigoso porque ela não conseguira controlar. Agora, ela estava pronta para fazê-la de novo. Disse que eu poderia começar com ela. Eu disse: "Está bem, eu não tenho nada melhor para fazer!" Sentei-me com ela e ela começou a escrever automaticamente por um tempo. Então comecei a meditar a primeira vez na minha vida. Aí tive uma experiência interessante... Quase que me esqueço disso. Eu estava sentada, meditando, era verão, perto havia uma janela aberta. De repente, pela primeira vez, houve algum tipo de sinal. Isto foi em Zurique, na véspera de ano novo em 1950. Na Suíça, eles tocam todos os sinos de igreja. Foi então que eu senti alguma coisa, um poder incrível, como o poder de Cristo... como se os anjos estivessem lá. Eu não tinha nenhum conceito de tais coisas, mas foi alguma coisa tão forte que me forçou a ajoelhar. Foi incrível! Aí eu deixei isto de lado e esqueci completamente. Aquilo foi como um anúncio das coisas por virem. Este foi o mesmo ano em que eu fui levada à médium, sem saber o significado disto. Então, veio tudo muito rápido. Foi em 1951, início de 1952.

Novamente eu estava sentada perto da janela, meditando, no verão. Aconteceram muitas vezes, não apenas aquela. Senti um aroma incrível. Não era nenhum aroma que viesse de nada real. Olhei em volta do lado de fora. Não conseguia nem descrever este aroma. Era um aroma espiritual, mas ao mesmo tempo muito real e terreno. Provocou-me um sentimento tão inacreditável que não consigo descrever. Se for aproximado, era uma combinação de essências de madeira e metal. Era inacreditável. Imagino que os anjos tenham este cheiro. Quando isto me aconteceu, eu fiquei tão confusa. Junto com aquele aroma eu sabia que havia algum significado espiritual e eu deixei o assunto de lado. Aquilo foi muito forte. E então, talvez poucos meses depois daquilo, no verão de 1952, em agosto, eu ainda estava na Suíça, um dia eu estava sentada em casa e a minha mão ficou muito pesada, a minha mão direita. Eu estava sentada com os cotovelos sobre a mesa. Minha mão foi meio que puxada para baixo e começou a mover-se por conta própria. Peguei um lápis e ela se moveu. Fiquei muito entusiasmada. Eu não queria fazer escrita automática, e, ao mesmo tempo, estava fascinada. Não fiz muito, somente algumas linhas na diagonal atravessadas no papel. O fato de alguma coisa mover-se além da minha vontade era entusiasmante, assustador, fascinante, muito intrigante. No dia seguinte eu fui até a mulher que sabia a respeito disto e ela reagiu como se fosse algo trivial. Disse: "OK, você faz escrita automática." Passei a sentar-me para isto duas ou três vezes por semana.

Charles: Você estava recebendo algum tipo de mensagem?

Eva: Vieram muitas escritas diferentes, mensagens. Era apenas um passatempo muito interessante. Jamais me ocorreu que aquilo se tornaria no que se tornou... Jamais me ocorreria em um milhão de anos.

Charles: Quando o Guia começou a se manifestar, houve um período em que ele lhe disse que você teria que passar por sua própria purificação antes que pudesse aceitar isto.

Eva: No começo da escrita automática houve muitos testes, muitas entidades diferentes vindo, uma mistura total de níveis... espíritos muito baixos. Tive que aprender a não acreditar no que diziam, que existem muitos perigos, comunicação errada, e a não engolir tudo o que diziam. Com muita freqüência eu era tentada a jogar tudo para o lado. "Talvez a Igreja esteja certa, você não deve ter nada a ver com isso - é muito confuso."

Aí surgiram mensagens intermediárias que eram a tal ponto fenomenais, que foram incríveis - coisas que eu não tinha como saber, e que se verificou serem verdadeiras. Eram realmente impossíveis, coisas que eu nunca acreditaria que pudessem ser daquele modo. E elas eram verdadeiras. E coisas que eram falsas. Previsões! Embora eu não soubesse, na época, que não se deve preocupar-se com previsões... muitas coisas. Então, aos poucos, eu aprendi a lidar com estas coisas, a questionar estes espíritos, a aprender que muitos deles são simplesmente espíritos baixos e que precisam de ajuda. Mentem como seres humanos, fingem ser o que não são. Levei muito tempo para descobrir isto.

Muito gradualmente, aos poucos, uma vez ou outra, vinha uma escrita que era muito diferente. Mais tarde, fiquei sabendo que era o Guia: aconselhamento fantástico sobre desenvolvimento pessoal. Não vinha muito freqüentemente, mas realmente me testava pois estava misturado com estas outras coisas. Foi para mim, neste estágio precoce, um treinamento inacreditável lidar com isto. E havia tanta confusão. Chegou um ponto em que eu decidi que era demais, que não dava para mim. Desisti. Mas quando desisti tive um sentimento ruim, inacreditável, com se a vida tivesse ido embora de mim... como um frio em mim... escuridão em mim... Um sentimento de ter feito alguma coisa errada. Então, depois de dois dias eu retomei e me senti bem com isto. Mais ou menos ao mesmo tempo, a mediunidade auditiva se desenvolveu... não ouvir vozes, como vocês ouvem vozes, mas como se a falação estivesse dentro de mim, não no meu cérebro. Mais tarde isto acabou sendo o meu canal. O primeiro sinal da abertura do canal. Muitas coisas aconteceram em poucos meses. Nestes poucos meses, este aconselhamento incrível, lúcido, sábio, forte - eu acho que era o Guia, ele não se identificou - disse: "Sim, você tem uma tarefa!" E não me disse nada mais a respeito. O importante é o seu desenvolvimento pessoal. Então, mais tarde, na palestra falou-me diretamente o que eu tinha que fazer para enfrentar os meus problemas, dando-me guiança sobre como trabalhar comigo mesma.

Charles: Então você meio que tinha as palestras em microcosmos antes de chegarem... dentro de você!

Eva: Uma revisão diária... meu próprio canal escrevendo todas as noites... revisão diária. E sobre o que eu escrevia, as respostas vinham - escrita automática - e que direção tomar a respeito. Outra coisa: fui logo informada de que eu saberia mais do que esta outra mulher e que não precisava mais dela, embora precisasse porque eu não deveria fazer isto sozinha. "Você não deve fazer isto sozinha. É uma lei... uma lei Espiritual!"

Charles: Aterramento?

Eva: Sim, e o fato de que há decepções às vezes. É muito envolvente e você pode ser completamente pego nisto. Aí esta mesma voz, esta guiança, me disse que quando eu tivesse feito um aterramento suficiente na minha purificação, algumas outras pessoas seriam guiadas até mim, que também poderiam receber ajuda através deste canal e que me ajudariam me dando apoio e ficando comigo durante os transes e coisas do gênero. Naquela época - foi em 1952- o André e eu íamos voltar para os Estados Unidos. Ele tinha perdido o emprego com uma exportadora e não havia nenhuma razão lógica para presumir que voltaríamos para a Suíça porque ele precisava de um emprego e não se conseguia emprego para cidadãos americanos na Europa. Então o único jeito era voltar para os Estados Unidos. No que eu escrevia, vieram estas previsões incríveis. Naquele tempo eu ficava desconfiada com previsões. "Você voltará num futuro próximo porque precisa de treinamento. Haverá certas fases em que você precisará voltar." Foi uma daquelas coisas. Eu a rejeitei completamente. Deixei de lado. Bem, no outono de 1952 nós voltamos para os Estados Unidos. Eu queria retomar porque tinha tido o estúdio de dança antes o qual tivera de abandonar quando fomos para a Europa.

Charles: Quer dizer que você estava dando aulas?

Eva: Não havia motivo pelo qual eu não devesse me sustentar, mas aí eu recebi esta mensagem: "Agora é hora de esquecer completamente - a escrita automática - qualquer tipo de fenômenos; você tem que se concentrar completamente no seu próprio desenvolvimento e não fazer nada mais. Você não deve nem trabalhar por este curto período de tempo." Eu disse: "Como? Não é justo!" E o André foi muito bom a este respeito, ele aceitou. Então eu me concentrei realmente por um ano e meio mais ou menos; totalmente concentrada no meu próprio caminho. O canal só funcionava para isto. Somente me dizia tudo o que eu precisava a meu respeito. É por isto que quando eu ouço falar de pessoas que recebem mensagens fabulosas, como a Ann White, mas que não se trabalham, fico muito desconfiada.

Então, depois de um ano e meio de treinamento muito intensivo, pela primeira vez eu recebi o sinal verde: "O primeiro sinal verde vai ser dado a você agora. Você não tem que sair procurando ninguém... ele virá." Eis que eu e uma velha amiga nos encontramos e falamos sobre estas coisas. Eu não recebi um convite, eu não fazia idéia. Ela me disse: "O quê? Você pode fazer isto? Poderia escrever isto para mim?"

Isto foi na cidade de Nova Iorque entre 1952 e 1954. No início de 1954, ela teve algumas sessões com o seu pai. Ela veio e eu fiz a escrita automática e nenhuma da coisas que vieram tinha nada a ver com fenômenos. Cada vez mais o que eu escrevia se direcionava a ajudar as pessoas com o seu próprio caminho. Este foi o início do canal.

O André estava procurando emprego. Um dia ele conseguiu uma oferta do Marquis de Cuevas Ballet. Sendo originalmente o Ballet de Monte Carlo, eram muito famosos em Paris. O Marquis era o marido da Margaret Rockfeller. Eram bons amigos do André que tinha este nível de "alta sociedade" em sua casa. O Cuevas o convidou para ser gerente deste ballet em Paris. Por toda a minha vida eu sempre estive a margem de dançar, primeiro com o Harkness Ballet e agora com o Marquis de Cuevas Ballet. Era tão engraçado, como se tivesse talvez um dia sido o meu caminho, mas não nesta vida. De qualquer forma, o André recebeu esta proposta muito interessante para ir para Paris como gerente do Cuevas. De um dia para o outro, nos vimos de volta à Europa. Eu havia esquecido completamente que isto era o que tinha sido previsto. Ficávamos um pouco em Paris, indo e vindo de Zurique. Então o André começou a viajar muito com eles e eu me vi, de alguma forma, de volta a Zurique, onde eu havia estado antes. Foi lá que o meu treinamento, a minha mediunidade continuou. Fui guiada a uma outra moça, que também era uma amiga, que passou a fazer as sessões comigo. Ela também canalizava e nós nos encontrávamos com regularidade; entramos nisto.

Então um dia veio a mensagem: "Esta é a hora certa para você começar a treinar para o transe." "Eu não consigo entrar em transe, nunca consegui... é impossível!" "Sim, sim, você tem que fazer uma sessão." Deram-me instruções sobre o que fazer. Falaram-me sobre como abrir mão dos pensamentos, como não pensar, como deixar a minha mente fluir completamente. Disseram-me que eu devia fazer isto duas vezes por semana na presença da outra moça. E depois que fizéssemos isto, haveria sessões em que viria a escrita automática. Cada vez menos estes outros espíritos vinham pois eu realmente tinha aprendido a controlar e a discriminar. A guiança - ou o Guia - vinham na escrita automática. Eu nunca tinha pensado que entraria num transe; eu estava tão "lá". Acho que eu apenas perseverei. Aí, depois de um ano e meio de sessões, consegui entrar em transe. Profundo relaxamento.

De qualquer forma, a primeira vez que entrei em transe, nenhuma voz veio e eu apenas fiquei em transe. Foi um sentimento incrível, e daquela vez em diante eu consegui fazê-lo sem dificuldade. Então, na segunda vez que entrei em transe, veio a voz. Desde então, ela veio. Isto foi por volta do fim do outono de 1956.

Charles: Quem eram as pessoas do seu meio que deram suporte, que escutaram?

Eva: Naquela época, havia se formado um pequeno grupo em Zurique. Esta moça que mencionei aos poucos trouxe os outros seis, oito a dez pessoas e estes vinham com regularidade. Nos encontrávamos mais ou menos uma vez por semana para uma sessão com o Guia e ele lhes dava instruções. Foi por volta do fim da primavera de 1956 e início do outono. Uma das mensagens do Guia foi: "Quando você voltar para os Estados Unidos um grupo se formará. Mais tarde, outras pessoas virão e elas serão o núcleo do grupo que se formará em definitivo para a tarefa que você cumprirá." Não dava nem para começar a inventar a coisa, é tão forçado. Logicamente a voz não me disse nada sobre a vastidão da coisa. Eu pensei que o faria como um passatempo... para amigos, sabe. Por diversão, por interesse - não achava que isto seria a minha vocação. Aí, voltamos aos Estados Unidos em 1956 e este grupo realmente se formou. Lembro-me muito bem quem eram as pessoas.

Charles: Quem eram?

Eva: Bem, você não os conhece. Havia entre seis e oito pessoas que se reuniam e eu lhes dava uma sessão de transe a cada duas semanas. Foi isto, sabe. Foi assim que começou.

Charles: Obrigado. Agora eu posso passar para perguntas recentes. Por exemplo, o que você pode dizer sobre a energia que você sente agora do Guia em comparação à energia que sentia na época?

Eva: Energia inacreditavelmente mais forte... Inacreditável. Não há comparação. Fica sempre mais forte, cada vez mais pura.

Charles: Deve haver um sentimento tremendo quando você entra em transe. Tem alguma maneira de você descrevê-lo?

Eva: É muito difícil colocar este sentimento em palavras. Sabe, as pessoas geralmente pensam em transe como sendo alguma coisa inconsciente e isto não é verdade. Pode haver estados de transe em que se fica realmente adormecido. Não é o caso. Não é que eu não fique consciente, fico super-consciente. Não sei se isto faz algum sentido: é uma super-focalização da consciência. Esta super-consciência é o canal. A minha mente fica fora disto. O que o transe realmente significa é o permitir que outra consciência venha, o que é uma super-focalização - uma intensificação da consciência - o que soa muito contraditório.

Por um tempo muito longo antes de entrar em transe, havia sempre uma pequena ansiedade que tinha a ver com o tempo em que eu recebia coisas sem sentido - ou não recebia nada - o que criava dúvidas a meu próprio respeito. No momento em que eu consegui entregar, entregar para a vontade de Deus, perdi aquela ansiedade e agora me sinto muito confiante. O que é realmente prazeroso é quando saio do transe. O sentimento é de uma tremenda realização e existe um tremendo fluxo de energia nova.

Charles: Só para mudar de assunto um pouquinho. Alguém me contou que, a única vez que você cancelou uma palestra do Guia foi quando um dos gatos morreu. Você poderia falar sobre isto? Também sobre a sua relação com a Psyque. Existe um significado para isto.

Eva: Isto é engraçado. É verdade.

Charles: É surpreendente: aconteça o que acontecer, você está lá.

Eva: Sim. Bem, no dia em que o gato morreu eu estava muito aborrecida. Eu adoro os meus gatos e tenho uma relação muito especial com eles e deduzi pelos meus sonhos que os meus gatos têm uma representação simbólica muito forte para mim. Os meus antigos gatos: o Patsy era o macho e a Micky a fêmea; e o Patsy morreu. De alguma forma aquilo foi o aviso do fim da minha relação com o André, que foi muito doloroso. Mas é claro que eu não sabia disso, quando aconteceu. Eu apenas vivi o luto pelo Patsy! Se você me perguntar sobre a relação entre os meus gatos e os meus sonhos... Bem, o Patsy era o princípio masculino e a Micky era o princípio feminino em mim. Foi muito interessante. Logo depois que eu conheci o John, a Micky morreu. E aí eu ganhei a Psyque. Quando a Micky morreu eu sabia que simbolicamente era a minha feminilidade antiga que já estava doente, e então morreu. A minha nova feminilidade e renascimento vieram com a Psyque. Ela era muito mais bonita e vibrante do que a Micky. Você tirou uma foto dela.

Charles: Sim, eu tenho a foto. Eu gostaria de perguntar: Parece-me que você teve três encruzilhadas na sua vida. Uma: a vinda do Guia. Segunda: a operação, e a terceira, a sua recente mudança de voz, o que abriu a sua receptividade. Se você pudesse falar sobre estes três pontos.

Eva: O Guia já falou sobre isto. Houve um outro ponto importante por volta da época da operação. Esta foi a crise mais importante da minha vida, e foi uma encruzilhada incrível no meu Caminho. Os místicos falam sobre "a noite escura da alma". Foi o fim da relação com o André, que foi muito doloroso. Aí eu tive muitos problemas com as pessoas ao meu redor naquele momento... o Walter Heller, a Anne Heller, a Rose... pessoas que você não conhece.

Charles: Lembro deles.

Eva: Alguns deles você conhece. Tive muita discórdia com eles e muitas coisas negativas aconteceram. Eles eram realmente os pilares que haviam me sustentado! E a discórdia foi muito, muito dolorosa. De repente, me vi sozinha!

Charles: Isto parece a Queda.

Eva: Aí, foi quando o Patsy morreu, tudo aconteceu junto: um incrível enfrentamento das minhas próprias dúvidas sobre o meu canal e o seu significado. Enfrentei muitas dúvidas que eu tinha sobre a Fé. Foi muito difícil para mim enfrentar isto. Eu fiz; tive que enfrentar. Sabe, a Jane Roberts descreve isto também. De onde vem isto... Testes! Foi muito doloroso. Depois, a minha operação. É claro que eu pensei que era o fim da minha vida como mulher. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Eu tive sonhos premonitórios a respeito, na ocasião: sonhos tremendos, grandes, o que foi um período de total inquietação, de testes na minha vida. Digo que se eu não tivesse passado por testes, o Caminho nunca teria se desenvolvido.

Charles: Isto parece o teste final!

Eva: Sim. Primeiro o canal começou e as pessoas vieram e foi bom, e palestras adoráveis iniciaram e a ajuda foi dada. Embora num primeiro momento a ajuda tenha sido dada numa sessão de transe pois eu não tinha o conhecimento de uma helper. Aprendi a ser uma helper nas sessões de transe, quando recebia o Guia. Isto aconteceu durante um tempo, então vieram estes testes! A enorme revolução... A noite escura. Aí eu saí daquilo e foi isso.

Charles: E agora? A voz é uma nova mudança.

Eva: Começou na primavera, em maio do ano passado. Eu tive uma vivência incrível de Cristo no Centro. Eu contei para você. Depois disso, a energia ficou incrível. Aí, eu peguei o vírus e o carreguei durante meses; não conseguia me livrar dele. A laringite aconteceu há dois meses e está realmente entrando em um nível de uma nova energia. Mas não está horrível como da outra vez.

Charles: Está mais suave. Como é que o John entra nisso tudo?

Eva: O John entra através dos Alpert. O Bert Alpert era paciente do John. Ele veio um dia até o John. Trouxe vinte palestras e disse: "conheço uma médium que tem um canal fantástico." E quando o John ouviu a palavra médium ele quis ficar fora disto. Ele tinha muitas dúvidas. Mas o Bert disse: "Leia estas palestras." Aí o John disse: "OK." Então ele leu as palestras e ficou totalmente entusiasmado e disse que era incrível: era o que ele vinha procurando durante toda a sua vida. Disse: "Era tudo carne e não tinha batatas!"- foi esta a expressão que usou. Aí pediu o meu endereço para o Bert. Escreveu para mim; lembro-me com clareza. Voltei de Harkness no dia 4 de julho de 1966 e encontrei a carta do John Pierrakos: "Sou um psiquiatra de Nova Iorque e o material é muito incrível e eu gostaria de comprar todas as palestras e gostaria de falar com você." Foi assim que o conheci.

Charles: Foi assim que ele veio às palestras.

Eva: Sim.

Charles: E aí, posso perguntar quando foi que começou o romance?

Eva: Pode perguntar, não é nenhum segredo. Ele escreveu a carta e eu respondi e dei a informação de que as palestras estavam disponíveis e que, se ele quisesse me ligar, seria um prazer falar com ele. Então ele me ligou e nós marcamos um horário. E eu lembro que José me ajudou a reunir todas as palestras; não sei quantas palestras havia, talvez cento e cinqüenta. Preparamos todas as palestras e o John apareceu lá. De imediato eu tive uma incrível simpatia por ele. E começamos a conversar e ele me falou da sua vida. Aí falou que sentia que tinha traído Reich. Era o tipo da coisa que se diria no Caminho. Eu disse: "Meu Deus!" Eu gostara tanto dele. Disse: "Este homem é incrível." Depois eu soube que ele era casado e disse para mim mesma: "Esqueça isto, é ridículo." Foi como uma vivência subliminar. Havia um tipo de familiaridade a respeito, uma sensação de que era isto! E ainda assim, o meu consciente dizia: "esqueça!".

Charles: Parece uma tremenda reciprocidade.

Eva: Havia tanta identificação, tanto entendimento. Ele era exatamente como o homem que eu estava procurando, com a restrição de que era casado. Eu estava indo embora para Watchhill. E ele disse: "Vamos nos encontrar quando você voltar, eu gostaria de falar mais um pouco com você. E eu também gostaria muito de participar de uma sessão com o Guia e quero perguntar muitas coisas."

Ah, esqueci, houve uma outra coisa muito interessante. Mais ou menos um ano antes eu conheci uma mulher inglesa que lia mãos (geralmente eu não me interesso nem um pouco por isso) cujo nome era Diane Elliot. Ela me foi recomendada pela Rebecca Harkness. Ela me falou: "Vai nesta mulher, ela é fantástica." Ela tinha um pequeno apartamento no Carnegie Hall onde, mais tarde, recebemos as palestras durante um tempo. Fui até ela. Isto foi um ano ou dois antes de eu conhecer o John. Ela era uma mulher linda, muito espiritualizada. Assim que Diane entrou na sala - ela não me conhecia de Adam - me falou a respeito do meu canal espiritual. Disse: "Você tem uma energia fantástica." Depois disso ela leu as palestras. Aí ela olhou as minhas mãos e me falou coisas fantásticas sobre o meu passado, absolutamente tudo. Então, disse: "Você vai conhecer um psiquiatra neste verão que está muito envolvido com campos de energia e é muito científico. Ele não está só praticando a psiquiatria, mas está muito envolvido com os aspectos científicos da energia. E ele é viúvo e vocês vão se casar e ter uma relação fantástica, um casamento muito bonito. Quando você voltar deste verão você vai conhecer este homem e terá uma conversa com ele." (Isto foi em 1962-63) "e você vai achar a conversa com ele a mais estimulante que já teve."

E, é claro, eu tinha esperado este homem, e ele não tinha aparecido: 1963 nada, 1964 nada, 1965 nada. Eu disse: "Esqueça isto, não faz sentido." Desisti; esqueci completamente o assunto. Disse: "Você não pode acreditar nestas previsões." Ela era ótima no que se referia ao passado, mas não ao futuro. Eu ainda não acredito em previsões do futuro, mas uma vez que outra acontece. Então, de qualquer forma, eu tirei isto da minha cabeça. Aí, quando eu vi o John a Segunda vez, passamos uma tarde juntos e conversamos. No final da conversa ele disse: "Bem, esta foi a conversa mais estimulante que já tive!" E eu disse: "Ai, meu Deus, o que foi que você disse?" E ele: "Qual é o problema? Você não concorda?" Eu disse: "Sim." Eu não queria dizer nada a ele: eu ficava pensando o tempo todo: ele é casado! Esqueça!

Assim, conversamos e jantamos juntos e marcamos um horário para uma sessão com o Guia. Ele perguntou: "Quanto você cobra? Eu quero trabalhar com você. Preciso desta ajuda." Minha voz interior me disse: "Se você se envolver com ele como profissional, nunca poderá haver nada entre nós." E aí eu disse: "Não quero isto. Não cobro nada. Eu também quero aprender com você." Era isto mesmo que eu queria dizer, mas era uma voz interior: "Se ele vier como profissional vai ser o fim, eu sei disso! O meu sentimento era tão forte, e ainda assim o meu mental dizia: "ele é casado, esqueça isto!" Então ele participou de uma sessão com o Guia e, na sessão com o Guia foi informado de que um dos seus problemas era ser muito infeliz em seu casamento que não tinha saída. Esta foi a primeira vez que eu me abri para ele. E foi assim que começou.

Charles: Que bonito! Mais uma coisa que eu gostaria de perguntar: Arosa. Sei que tem um significado especial, imagino a palavra "arising" do inglês. ( N.T.: arising= que surge, emergente) Qual é o significado para você? E para todos nós em Arosa? Você não costumava ir lá quando jovem?

Eva: Eu não ia à Arosa quando era jovem. Em 1963 a minha mãe morreu. Enquanto ela ainda era viva, de 1961 a 1963, eu ia à Arosa todos os verões com a minha irmã para visitá-la. Combinávamos a visita com as férias. E em 1963 ela morreu. E aí, de alguma forma eu tive a idéia de, ao invés de irmos lá no verão, poderíamos ir nas férias de inverno esquiar. Então, em 1965, fomos à Arosa no inverno. Gostei tanto de lá que não consigo comparar a nenhum outro lugar. É cheia de paz, é bonita, é ensolarada e tem mil vantagens que outros lugares não têm. Eu fui fisgada. Naquele tempo, para mim, era um tempo de férias necessário para descanso, reabastecimento e regeneração.

Todas as férias eram sempre uma preparação para uma nova fase no Pathwork e em mim mesma. Então eu fui lá em 1965 e 1966 com a Miana. Em 1967 eu já conhecia o John, mas é claro que ele não foi - ele nunca tinha esquiado na sua vida. Durante os anos que eu o conheci, fui lá sem ele. Eu tinha uma coisa que eu queria mostrar aquilo para ele, queria compartilhar com ele. Mas quando eu falava para ele, ele não se interessava. Sendo da Grécia, serra e neve não tinham nenhum significado para ele. Mas eu sabia que seria incrível se ele visse aquilo. Em 1969 foi a primeira vez que ele foi. Foi também nesta época que ele deixou a sua primeira esposa e veio morar comigo. Aí ele viu, começou a esquiar, teve aulas. Depois de umas dez aulas ele começou a gostar. O tédio inicial tinha acabado. Depois, em 1970, fomos lá juntos sozinhos. Acho que a Miana estava lá também e depois apareceu o meu irmão para nos visitar. Foi uma experiência incrivelmente profunda para mim em todos os níveis: a beleza - externa e interna- a regeneração interior espiritual e a preparação para coisas novas. Então desejamos poder dividir isto com amigos. Assim, o Bill e a Clare, o Bert e a Moira foram os primeiros a ir. Foi assim que começou. Acho que eles foram a primeira vez em 1971 ou 1972, não tenho muita certeza.
Todos os anos tem uma abertura. E todos os anos alguma coisa nasce lá, como o Centro.

Charles: Eu poderia dizer que quando ouço a estória fico estupefato, pasmo com os potenciais de cada um de nós. É uma estória realmente inspiradora e me enche de poder.

Eva: Eu lhe digo que não conseguiria nem ser justa porque é tão difícil de explicar. O começo, e o tatear, e o quanto eu não sabia nada na época. Na verdade, muitas destas coisas eu tive que aprender de maneira árdua, por tentativa e erro. Eu acho que quando as pessoas sentem ciúme de mim porque eu tenho o Guia e acham que eles poderiam sentar e fazer o mesmo eles não fazem a mínima idéia. Muito embora, com certeza, é muito mais fácil para eles agora do que foi para mim então, porque o Caminho está esboçado e eles têm a ajuda. No início, no entanto, houve muitos testes e muitas coisas pelas quais passar. Mas valeu a pena mil vezes. Eu faria tudo de novo - até as coisas mais difíceis. Pelo que é.

Charles: O que me impressiona é a idéia de dar pequenos passos. É impressionante como você deu passos muito pequenos sem fazer idéia da distância a que chegaria.

Eva: Nenhuma!

Charles: Mas você levou tudo a cabo. Eu lembro quando eu comecei no Pathwork, há treze ou quatorze anos atrás, senti que ele tinha atingido o seu apogeu, sabe. A cada palestra eu dizia: "É isso! É isso!"

Eva: Depois de cinco anos eu disse: agora nós temos tudo. Eu não sabia o que mais o Guia poderia dizer. Não conseguia imaginar o que mais poderia ser dito.

Charles: Há uma citação famosa de um poeta que não lembro o nome. Ele disse: "Pessoas como você deveriam viver mil anos."

Eva: Que amor! Obrigada.